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Governo Milei: Risco-país da Argentina volta a superar 500 pontos e reacende alerta

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O risco-país da Argentina, governada por Javier Milei, voltou a superar a marca de 500 pontos nesta terça-feira (18), em mais um sinal de aumento da cautela dos investidores em relação aos ativos do país. O indicador calculado pelo JPMorgan avançou 18 pontos no dia, para 506 pontos básicos, maior nível desde 26 de maio.

A alta de aproximadamente 3,5%, segundo cálculos da plataforma Rava Bursátil, ocorre após o índice ter atingido cerca de 402 pontos em meados de julho, o menor patamar durante o governo do presidente Javier Milei. Desde então, o indicador entrou em trajetória de alta e já acumula avanço superior a 60 pontos apenas em agosto.

O movimento também atingiu os títulos soberanos argentinos negociados em dólar. Os Bonares e Globales recuaram, em média, 0,9% na sessão. O Bonar 2035 e o Global 2046 chegaram a registrar perdas próximas de 2%.

O presidente argentino Javier Milei | Crédito: Tomas Cuesta /Getty Images via AFP
O presidente argentino Javier Milei | Crédito: Tomas Cuesta /Getty Images via AFP
Bolsa argentina também recua

A deterioração não ficou restrita ao mercado de dívida. O S&P Merval, principal índice da Bolsa de Buenos Aires, caiu cerca de 1% nesta terça-feira, para 2,92 milhões de pontos.

Em dólar, a queda acumulada em agosto é ainda mais expressiva. Até a sexta-feira (14), o índice recuava 10,6% no mês. Os ADRs de empresas argentinas negociados em Nova York também sofreram fortes perdas, com alguns papéis acumulando baixas de até 18% no período.

O setor bancário está entre os mais pressionados. O Banco Macro, por exemplo, registrou queda superior a 10% em uma semana.

A correção ocorre mesmo diante de resultados corporativos considerados positivos. YPF e Pampa Energía apresentaram lucros por ação mais de 40% acima das estimativas, enquanto Ternium e Telecom também superaram as projeções do mercado.

O desempenho indica que, neste momento, os investidores estão dando mais peso às condições gerais da economia argentina e ao risco associado ao país do que aos resultados individuais das companhias.

Além de fatores domésticos, o cenário internacional também contribuiu para a piora dos ativos argentinos. A elevação dos juros de longo prazo nos principais mercados reduziu o apetite por ativos considerados mais arriscados, como os de países emergentes. Bolsas internacionais também registraram perdas, enquanto os rendimentos dos títulos de longo prazo avançaram e os preços do petróleo permaneceram pressionados pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio.

Para a Argentina, o ambiente externo desfavorável se soma às preocupações específicas do país e amplia a exigência de prêmio dos investidores para carregar títulos argentinos.

Analistas também apontam fatores políticos como parte da explicação para a alta do risco-país. A Fundação Mediterránea destaca, entre os pontos de preocupação, o nível das reservas internacionais, as restrições aos fluxos internacionais de capitais e o histórico de episódios de inadimplência da Argentina.

O risco-país acima de 500 pontos representa um obstáculo para a retomada do acesso da Argentina ao mercado internacional de crédito em condições mais favoráveis. Quanto maior o indicador, maior tende a ser o custo de financiamento exigido para os títulos soberanos.

A combinação de ativos em queda, reservas sob pressão, ambiente internacional menos favorável e incertezas sobre a continuidade da política econômica mantém o mercado argentino sob cautela.





ICL Notícias

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