Por Cleber Lourenço
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania informou que encaminhou à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) o conteúdo da série “Bandidos de farda”, publicada pelo ICL Notícias. A série foi coordenada pela jornalista e colunista do ICL Notícias, Juliana Dal Piva, com reportagens de Dal Piva, Igor Mello, Chico Otávio e Schirlei Alves.
A iniciativa ocorre após a série revelar documentos inéditos sobre a atuação de militares durante a ditadura militar, com registros de operações clandestinas, identificação de agentes e relatos de crimes como tortura, assassinatos, estupros e roubo de bens. Os documentos também confirmam mortes de pessoas que eram consideradas até hoje desaparecidas.
A CEMDP é o órgão que tem como função principal o reconhecimento, a investigação e a reparação em relação às vítimas da ditadura militar brasileira (1964-1985).
A pasta também afirmou que “a reportagem seguirá para análise e adoção das devidas providências no âmbito de suas atribuições”, indicando que o material poderá embasar medidas institucionais a partir da análise da comissão.
A CEMDP é o órgão responsável pelo reconhecimento, investigação e reparação de vítimas da ditadura militar.
A série tem como base documentos do arquivo secreto do coronel Cyro Etchegoyen, identificado como “Dr. Bruno” em registros da repressão e apontado como um dos nomes associados à Casa da Morte de Petrópolis — centro clandestino de tortura.
Os documentos indicam que a repressão operava com estrutura organizada, com controle interno, registros administrativos e cadeia de comando definida, contrariando a narrativa de ações isoladas dentro do regime militar.
Entre os principais pontos revelados estão:
Na mesma manifestação, o ministério afirmou que “reafirma seu compromisso com as políticas de memória, verdade, justiça e não repetição”.
A nota também destaca “a importância do papel da imprensa na defesa da democracia”, em referência ao trabalho investigativo que resultou na série.
O encaminhamento do material à comissão abre a possibilidade de reconhecimento de novas vítimas e revisão de casos ainda não contemplados pelas políticas de reparação do Estado brasileiro.
