Início BRASIL Governo busca reativar fundo do tarifaço para socorrer exportadores afetados por guerra

Governo busca reativar fundo do tarifaço para socorrer exportadores afetados por guerra

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O governo federal estuda redirecionar recursos não utilizados do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) para mitigar os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio sobre setores estratégicos da economia brasileira. A proposta em análise prevê o uso de uma “sobra” de valores originalmente destinados a socorrer empresas afetadas pelo tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump.

Em 2025, foram disponibilizados R$ 30 bilhões por meio do FGE para concessão de crédito subsidiado a exportadores prejudicados pelas sobretaxas comerciais. Parte significativa desse montante, no entanto, não foi utilizada.

Agora, a equipe econômica avalia prorrogar o prazo de uso desses recursos, evitando sua perda e viabilizando nova destinação — sem impacto adicional no orçamento.

A iniciativa integra um conjunto mais amplo de medidas em estudo para enfrentar choques externos recentes.

Combustíveis no centro da estratégia

Paralelamente, o governo anunciou medidas para reduzir o impacto da alta dos combustíveis, um dos principais canais de transmissão da crise internacional. Entre elas estão a desoneração de PIS/Cofins sobre o diesel, com impacto estimado em R$ 20 bilhões ao ano, e a criação de um subsídio limitado a R$ 10 bilhões anuais.

A compensação fiscal dessas ações deve vir da criação de um imposto de exportação sobre o petróleo bruto, estratégia que busca equilibrar as contas públicas diante da renúncia de receita.

Outra frente envolve negociações com os estados para zerar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a importação de diesel. A União propôs compensar metade das perdas, inicialmente estimadas em R$ 3 bilhões mensais — valor posteriormente revisado para cerca de R$ 1,6 bilhão. Ainda assim, governadores demonstram resistência, citando dúvidas jurídicas e fiscais sobre o modelo.

Pressão dos exportadores e gargalos logísticos

O redesenho das políticas também responde à pressão de setores exportadores diretamente afetados pela instabilidade no Oriente Médio. Entidades do agronegócio alertam para impactos relevantes nas cadeias logísticas e no fluxo financeiro das operações internacionais.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a região responde por mais de 25% das exportações brasileiras de carnes e ovos. O conflito tem provocado desvios de rotas comerciais, aumento no tempo de transporte e elevação de custos operacionais.

Esse cenário amplia o ciclo financeiro das exportações, pressionando o capital de giro, especialmente de pequenas e médias empresas. O intervalo maior entre produção, embarque e pagamento final tem reduzido a liquidez do setor.

Diante disso, representantes da indústria pedem ampliação de linhas emergenciais de crédito, com prazos mais longos e condições flexíveis, além de mecanismos de mitigação de riscos logísticos e financeiros.

Possível retomada do Plano Brasil Soberano

As medidas em estudo podem marcar uma reedição do Plano Brasil Soberano, lançado anteriormente para enfrentar os efeitos do protecionismo comercial dos Estados Unidos. O programa previa, além dos recursos do FGE, aportes adicionais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES).

Segundo integrantes do governo, ainda restariam cerca de R$ 6 bilhões disponíveis desse pacote, o que reforça a estratégia de reaproveitamento de recursos já autorizados.

Desafios fiscais e coordenação federativa

Apesar do esforço para evitar novos gastos orçamentários, o governo enfrenta o desafio de coordenar ações com estados e garantir segurança jurídica às medidas. A resistência de governadores à desoneração do ICMS e as preocupações com tribunais de contas indicam que o desenho final das políticas ainda depende de negociações complexas.

Ao mesmo tempo, a equipe econômica busca calibrar instrumentos que ofereçam alívio imediato sem comprometer o equilíbrio fiscal, em um cenário de elevada incerteza global.





ICL Notícias

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