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Glauber diz que processo de cassação é farsa articulada por Lira e que resistirá até o fim

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Por Cleber Lourenço

Em entrevista exclusiva ao ICL Notícias, o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) afirmou que o processo de cassação contra ele no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados é parte de uma retaliação articulada pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), em razão das denúncias feitas por ele contra o chamado “orçamento secreto”.

Glauber apontou o Partido Novo como peça auxiliar dessa estratégia, alegando que a legenda não demonstrou nenhum envolvimento real na tramitação da denúncia. Segundo ele, trata-se de uma manobra para silenciar vozes críticas e impor um padrão de comportamento aos parlamentares.

“O Partido Novo foi utilizado, nesse caso, como um instrumento de Artur Lira”, disse Glauber, ao lembrar que nenhum parlamentar da legenda compareceu às sessões do Conselho de Ética que discutiram a representação. “É lamentável que um partido se preste a isso, mas não é surpresa, já que o mini bandido do MBL foi candidato pelo Novo”, afirmou.

Glauber ainda chamou a atenção para o fato de que o Novo não apenas se ausentou das sessões como não apresentou qualquer sustentação oral ou política sobre a acusação que levou ao processo. “Eles não se deram ao trabalho de sustentar a representação. Estavam apenas cumprindo uma tarefa dada pelo comando político da Casa.”

Deputado Glauber Braga, do PSOL-RJ. Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados

Questionamentos sobre atuação do relator

Segundo Glauber, o uso do Novo como linha de frente da representação apenas reforça o caráter artificial do processo. “Não teve nenhum deputado do Novo que tenha ido a uma sessão sequer para fazer a discussão da representação.”

O relator do processo, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), recomendou a perda de mandato de Glauber por quebra de decoro parlamentar. A decisão foi fundamentada em imagens e testemunhos colhidos ao longo da apuração. Glauber rebateu afirmando que a relatoria ignorou completamente os argumentos apresentados por sua defesa. “No dia do meu depoimento, sabe quantas perguntas o relator me fez? Nenhuma. Ele já estava com o relatório encomendado previamente por Arthur Lira”, disse.

O parlamentar questiona por que o relator não considerou episódios anteriores, inclusive com o próprio Magalhães, que agrediu fisicamente um jornalista sem sofrer qualquer punição. “A seletividade é gritante. Há casos graves que sequer são investigados. No meu caso, querem cassar o mandato por um episódio político e simbólico.”

Manipulação de prazos e motivação política

Além disso, Glauber levantou dúvidas sobre a condução do processo pelo presidente do Conselho de Ética. Para ele, houve manipulação dos prazos e uso político do rito regimental. O parecer do relator, segundo Glauber, estava pronto desde dezembro, mas foi mantido em sigilo até março. “A fraude é no conteúdo, mas é também no método de colocação em prática desse relatório pelo Conselho de Ética. Não há precedente de um processo que durou um ano sem uso de expedientes protelatórios por parte do representado.”

O deputado afirmou que o ritmo do processo foi controlado para coincidir com o calendário político, de modo a criar constrangimento e pressionar o plenário da Casa. “Eles seguraram o relatório, esconderam, e agora soltam com pressa, tentando atropelar o debate público.”

Glauber defende que a cassação tem motivações políticas claras e representa uma tentativa de intimidação. “Arthur Lira sempre deixou claro, inclusive no microfone da Câmara, que queria que eu não estivesse mais lá. Ele ficou incomodado com as denúncias sobre as fazendas que não declarou à Justiça Eleitoral e com a lavanderia de orçamento secreto em Rio Largo, onde ele alocou mais de R$ 90 milhões.”

“Hoje, qualquer pessoa com quem você fale na Câmara, mesmo aquelas que têm muito medo de Arthur Lira, se falarem em anonimato, dizem que esse processo está sendo conduzido por ele. Essa é uma não dúvida. Todo mundo sabe que é isso, e ele disse que faria e está fazendo.”

Reação à possível cassação e estratégias de defesa

Caso a perda de mandato seja confirmada em plenário, o deputado sinaliza que recorrerá à Justiça para reverter a decisão. Ele calcula que a cassação o tornaria inelegível por aproximadamente dez anos. “Mas eu vou lutar com todas as minhas forças para que isso não aconteça, tanto na articulação com os movimentos quanto, se necessário, no Judiciário.”

“Eu vou utilizar todos os instrumentos que tiver à minha disposição, inclusive, em caso de necessidade, qualquer recurso jurídico. E não será apenas para preservar meu mandato, mas para denunciar uma perseguição política com claros contornos de censura institucional.”

Glauber também afirmou que, além da judicialização, articula apoios dentro e fora do Congresso. “Não estamos sós. Há movimentos sociais, sindicatos, entidades jurídicas, parlamentares que compreendem que essa cassação é um marco perigoso para a democracia.”

Mobilização popular e apoio político

Glauber comentou o impacto que esse processo tem gerado na sociedade e entre seus apoiadores. Segundo ele, todas as sessões do Conselho contaram com forte presença de militantes. “Essa mobilização mexeu com as pessoas e me tocou profundamente. Isso mostra que não é apenas o meu mandato que está em risco, mas o espaço de resistência popular dentro do Parlamento.”

O deputado destacou que recebeu apoio público de figuras de diferentes partidos e reafirmou que sua atuação continuará combativa. “Não vou modificar minha militância por conta desse tipo de intimidação. O papel de um parlamentar de esquerda que está a serviço da estratégia socialista não é se conformar com a institucionalidade. É ser tribuno do povo, como dizia Lenin.”

Segundo Glauber, membros do PSOL e de outras legendas o procuraram para perguntar se poderiam dialogar com setores fora da esquerda institucionalizada. “Falei que sim, claro. O objetivo é mostrar o que está em jogo. Trata-se de um precedente perigoso contra qualquer deputado que não se alinhe automaticamente à lógica do poder.”

Recado aos parlamentares e futuro político

Para ele, a tentativa de cassá-lo é também uma mensagem direcionada a parlamentares combativos. “Calar a minha voz é dar um recado para todos que de alguma forma se contrapõem a Arthur Lira e ao orçamento secreto. É dizer que só pode se manifestar quem estiver em sintonia com o script da direita e do centrão.”

“Não é sobre um deputado só. É sobre o tipo de Parlamento que se quer construir: um parlamento domesticado, silencioso diante dos absurdos, cúmplice por omissão.”

Por fim, o parlamentar sinalizou que, apesar das ameaças, pretende seguir na disputa política e não descarta concorrer novamente. “Claro que o objetivo deles é que eu não seja candidato. Mas se a Justiça garantir, estarei nas ruas, nas redes e nas urnas. Com o mesmo compromisso de sempre: combater os poderosos e defender o povo.”

Glauber encerrou dizendo que o processo não enfraqueceu sua disposição política. “Pelo contrário. Saio ainda mais convencido de que nossa luta é justa, necessária e coletiva. Não vamos recuar. A luta segue.”



Fonte: ICL Notícias

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