Em meio ao conflito no Oriente Médio e as perspectivas negativas para a economia global, o Boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (13), mostra que a mediana do mercado financeiro elevou a projeção de inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), pela primeira vez acima do teto da meta perseguida pelo BC (4,5%). A estimativa passou de 4,36% para 4,71%. Foi a quinta semana seguida de alta.
A mediana dos analistas de mais de 100 instituições financeiras consultadas ao longo da última semana para a publicação também elevou a projeção de inflação para 2027, de 3,85% para 3,91%, na terceira semana seguida de alta, enquanto a de 2028 permaneceu em 3,60%, o mesmo percentual da edição anterior.
O centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3,0%, podendo oscilar 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. Em 2025, a inflação ficou em 4,26%, abaixo, portanto, do teto da meta, que é de 4,5%.
O Boletim Focus é uma das ferramentas usadas pelo Banco Central para balizar a política de juros. Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC avalia que o cenário internacional mais adverso, especialmente após a escalada da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, piorou as perspectivas para a inflação no Brasil e exige manutenção de uma política monetária mais restritiva, mesmo com o início do ciclo de queda de juros.
Analistas reduzem a cotação do dólar
O conflito no Oriente Médio tem provocado a desvalorização do dólar. Na sexta-feira passada, a cotação da moeda norte-americana recuou cerca de 1%, sendo negociado próximo de R$ 5,01, registrando a terceira queda consecutiva. Em alguns momentos do pregão, a divida chegou muito perto de romper a barreira dos R$ 5.
Conforme o Boletim Focus, as projeções ficaram da seguinte forma (US$ para o R$):
2026: ↓5,40 para 5,37 (1ª semana de queda)
2027: ↓5,45 para 5,40 (1ª semana de queda)
2028: ↓5,50 para 5,46 (1ª semana de queda)
Veja outras projeções do Boletim Focus
Produto Interno Bruto (PIB)
2026: 1,85% (2ª semana de estabilidade)
2027: 1,80% (15ª semana de estabilidade)
2028: 2,00% (109ª semana de estabilidade)
Balança comercial (superávit)
2026: US$ 70 bilhões (3ª semana de estabilidade)
2027: US$ 73,10 bilhões (1ª semana de estabilidade)
2028: US$ 73,50 bilhões (1ª semana de estabilidade)
Investimento estrangeiro direto
2026: US$ 75,00 bilhões (8ª semana de estabilidade)
2027: US$ 78,50 bilhões (5ª semana de estabilidade)
2028: US$ 80,00 bilhões (9ª semana de estabilidade)
