Como diria o último repórter romântico da imprensa brasileira, ele, o homem, a lenda Waldomiro Pena, o caso deixou de ser pauta de palácio e virou assunto de xilindró.
Creio que essa seja a melhor forma de tratar, daqui por diante, o personagem Flávio Bolsonaro, candidato derrotado do PL e fugitivo de primeira hora nos EUA.
Vale para o autoproclamado presidente do Brasil o entendimento do também fictício jornalista vivido pelo ator Hugo Carvana no seriado “Plantão de Polícia”, exibido na TV Globo entre 1979 e 81.
O bravo Waldomiro Pena, formado em plantões de porta de cadeia no Rio de Janeiro, cobriu muitos crimes comuns e alguns rolos palacianos de colarinho branco.
Nada, porém com o potencial estelionatário que vemos hoje no noticiário do banco Master e as ligações perigosas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Ao puxar a capivara do filho 01 de Jair Bolsonaro, o repórter boêmio e farejador não teria dúvidas sobre o tratamento que a redação da “Folha Popular” daria ao assunto.
O senador está implicado no financiamento do filme-lavanderia “Dark Horse”. O inquérito investiga suspeitas de irregularidades e parcelas milionárias transferidas por Vorcaro — áudios comprovam as transações — para a suposta produção cinematográfica.
Por mais que fosse acostumado à convivência com larápios e pautas de 171, Waldomiro Pena certamente se espantaria também com a possível sociedade entre Flávio e o amigo Willer Tomaz.
A PF investiga a dupla em esquemas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, ocultação de bens e apostas bilionárias em Bets. O 01 seria “usuário master” de uma conta no exterior com o parceiro.
Desabafando com o seu canário em um muquifo do Bairro de Fátima, ali entre os botequins da Lapa e o morro de Santa Teresa, um aposentado Waldomiro Pena indagaria hoje ao seu passarinho-terapeuta: “Bateram o INSS da minha carteira e estão de boa lá em Miami? É Flórida, malandragem, é Flórida”.
