O governo brasileiro poderá aderir à declaração do G7 de combate ao narcotráfico. Uma avaliação interna por parte das autoridades nacionais indicou que o texto, ainda que não seja ideal, não viola alguns dos princípios básicos da visão que o Brasil tem sobre o tema. Acima de tudo, o documento não equipara o narcotráfico ao terrorismo, como defende Donald Trump e a ala bolsonarista.
Nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em Evian, na França, para a cúpula do G7. O grupo aprovará oito declarações sobre diferentes temas e, por não fazer parte do bloco, o Brasil não pode interferir de forma concreta nos textos que serão assinados pelos presidentes. Convidado, o governo Lula pode optar por assinar ou rejeitar os documentos.
Ainda que a maioria não conte com o apoio do Brasil, um deles pode ser usado como instrumento de reafirmação das posições do governo Lula.
O documento não equipara o narcotráfico ao terrorismo, posição que vem sendo defendida por Trump e que abalou a relação entre Brasil e EUA.
A ausência de uma referência à estratégia americana num documento assinado por Alemanha, França, Itália ou Japão ainda poderia ser usada como argumento no Brasil para alertar que não existe um consenso mundial de que o narcotráfico deveria ser tratado como grupos terroristas.
A decisão de evitar uma classificação como desejam os americanos não foi um gesto ao Brasil. Nos últimos anos, o Caribe francês se tornou um ponto de entrada e trânsito crucial para a cocaína sul-americana a caminho da Europa.
As Antilhas Francesas estão próximas dos países produtores de cocaína da América do Sul, Colômbia, Peru e Bolívia, e da Venezuela – um dos dois principais países de saída da cocaína.
Outra preocupação de Paris se refere ao destino da Guiana Francesa, principalmente diante do risco de que cartéis também estejam presentes em suas fronteiras. O que o governo de Emmanuel Macron não aceitaria seria uma intervenção norte-americana, justificando um combate contra o terrorismo.
O Brasil ainda viu com satisfação o fato de o documento citar o combate à lavagem de dinheiro como parte da ofensiva contra as drogas. O governo Lula tem insistido com Trump de que esse é um dos caminhos mais eficientes.
Outro ponto aplaudido pelo Brasil foi a referência ao consumo de drogas, principalmente nos países ricos.
