Início BRASIL Emendas crescem 54%, mas reeleição de deputados sobe de 64% para 67%

Emendas crescem 54%, mas reeleição de deputados sobe de 64% para 67%

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Por Cleber Lourenço

 

O volume de emendas parlamentares pagas cresceu 54% em termos reais no atual ciclo eleitoral, mas a taxa de sucesso dos deputados federais que buscaram a reeleição passou de 64,1%, em 2022, para 67,7% neste ano. Mesmo com a expansão dos recursos controlados pelo Congresso, o índice continua abaixo do registrado em eleições anteriores ao atual modelo de distribuição de emendas.

Entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, o pagamento de emendas chegou a R$ 165,4 bilhões, segundo dados do Siga Brasil, sistema mantido pelo Senado. Descontada a inflação, o montante é 54% superior ao registrado no período equivalente do ciclo anterior. Só nos primeiros oito meses deste ano, foram pagos R$ 35,2 bilhões.

A expansão ocorreu justamente durante uma legislatura em que deputados passaram a dispor de volumes cada vez maiores para direcionar recursos a estados e municípios, fortalecendo a relação com prefeitos e outras lideranças locais.

O resultado das urnas mostra que a taxa de sucesso de quem já estava na Câmara também cresceu, mas em ritmo bem menor.

Dos 437 deputados em exercício que concorreram à reeleição em 2026, 296 conseguiram renovar o mandato. Outros 141 foram derrotados. Isso significa que 67,7% dos parlamentares que tentaram permanecer na Casa tiveram sucesso.

Em 2022, a taxa havia sido de 64,1%. Naquela eleição, 286 dos 446 deputados que buscaram um novo mandato conseguiram se reeleger, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

A diferença entre as duas eleições é de 3,6 pontos percentuais.

Taxa ainda é menor que antes da escalada das emendas

Olhando para um período mais longo, os números mostram que a taxa atual de reeleição não é excepcional.

Em 2018, última eleição para a Câmara antes da criação das emendas de relator, em 2019, 244 dos 404 deputados que tentaram permanecer no cargo foram reeleitos. A taxa ficou em 60,4%.

Desde então, o índice avançou: foi a 64,1% em 2022 e chegou agora a 67,7%.

Mesmo assim, o resultado de 2026 permanece abaixo de eleições realizadas muito antes da expansão recente das emendas parlamentares.

Em 2014, 70,5% dos deputados que buscaram a reeleição tiveram sucesso. Em 2010, foram 70,8%. Nas duas eleições, portanto, a taxa de sobrevivência dos deputados foi superior à registrada neste ano.

A comparação histórica ganha peso diante da transformação do Orçamento nos últimos anos. A criação das emendas de relator, em 2019, marcou uma ampliação da influência do Congresso sobre a destinação de recursos federais. O mecanismo foi posteriormente derrubado pelo Supremo Tribunal Federal, mas outras modalidades continuaram garantindo aos parlamentares bilhões de reais para indicar investimentos.

As emendas individuais e de bancada são impositivas, o que obriga o governo a executar os recursos dentro das regras orçamentárias. As chamadas emendas Pix também ganharam espaço por permitirem transferências diretas para estados e municípios.

Esse crescimento colocou as emendas no centro da relação dos deputados com suas bases. Os recursos financiam desde obras e equipamentos até despesas de saúde e investimentos municipais, dando aos parlamentares instrumentos para atender demandas apresentadas por prefeitos durante o mandato.

Antes da votação deste ano, o próprio Diap projetava que entre 68% e 72% dos deputados candidatos à reeleição conseguiriam renovar o mandato. O resultado final, de 67,7%, ficou ligeiramente abaixo desse intervalo.

A eleição deixou 141 deputados que tentaram um novo mandato fora da próxima legislatura. Ao mesmo tempo, mostrou uma Câmara com taxa de reeleição maior do que em 2018 e 2022, mas ainda inferior aos índices alcançados em 2010 e 2014, quando mais de sete em cada dez deputados que buscaram permanecer no cargo conseguiram voltar à Casa.





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