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‘eles querem a manutenção da 6×1’, diz Hilton da 4×3 pelo PL

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Por Isegun Oliveira – Brasil de Fato

A deputada Erika Hilton (Psol-SP) rechaçou a defesa repentina da escala 4×3 por setores da direita após fala do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante. A proponente da PEC 8/2025, que discorre sobre a redução da jornada de trabalho para quatro dias por semana no Brasil, defende que o anúncio é “mais um golpe da extrema direita”.

Ao chegar na sessão da comissão especial da Câmara nesta quarta-feira (27), que deve votar a redução da escala 6×1 para a 5×2, ela reforçou que “isto é um golpe contra o trabalhador de uma maneira que parece benéfica, parece boa, mas no fim do dia tudo que eles querem é a manutenção dessa política [da escala 6×1]”.

A fala é uma reação ao anúncio de Sóstenes Cavalcante de que o PL apresentará destaque para votar a adoção da escala 4×3. A movimentação, no entanto, se dá após a maior parte da bancada do partido apoiar uma emenda que criava brechas para a ampliação da jornada semanal de trabalho e criava uma transição de dez anos para redução da carga horária.

A chamada “emenda das 52 horas” foi assinada por 62 dos 97 deputados do PL — entre eles, Sóstenes Cavalcante — e previa mecanismos que poderiam permitir jornadas de até 52 horas semanais durante o período de transição. Após repercussão negativa, parte dos parlamentares retirou a assinatura, mas mais da metade da bancada segue vinculada oficialmente ao texto.

Parlamentares da base governista avaliam que a defesa da escala 4×3 funciona como tentativa de deslocar o debate para uma proposta considerada mais difícil de aprovar politicamente, o que acabaria criando obstáculos para a aprovação do acordo construído em torno da jornada 5×2.

O presidente da comissão especial que discute a redução do fim da escala 6×1, o deputado federal Alencar Santana (PT-SP), afirmou que essa defesa repentina da escala 4×3 por setores da direita representa uma tentativa de atrasar o avanço da proposta que põe fim à escala 6×1. Segundo o parlamentar, houve um amplo diálogo entre os partidos e representantes envolvidos no debate até que se chegasse a um consenso em torno da adoção da jornada 5×2 como alternativa viável para este momento.

“Tentar avançar com o discurso pelo fim da 6×1 na via da 4×3 é, sim, uma tentativa de tumultuar a votação por parte da direita”, declarou o parlamentar em entrevista ao Brasil de Fato. Segundo ele, a movimentação ocorre após meses de resistência de setores de direita às propostas de redução da jornada de trabalho.

O parlamentar também classificou a iniciativa como uma “manobra para atrasar o debate”, argumentando que o foco agora deve ser garantir a aprovação da mudança já pactuada entre parlamentares e movimentos sociais.

“Existiu um diálogo sobre as propostas e chegamos ao consenso de que, no momento, o fim da 6×1 para a 5×2 seria a melhor opção”, afirmou.

Movimentação ‘diversionista’

A deputada Maria do Rosário também classificou a movimentação como “diversionista”. Em conversa com o Brasil de Fato, a parlamentar afirmou que os mesmos setores que resistiam à redução da jornada passaram a defender a proposta mais ampla apenas para dividir a votação.

“Aqueles setores que não querem o 5×2 agora querem propor o 4×3. Querem tumultuar o plenário e dividir. Não dá pra levar a sério”, afirmou.

Para a deputada, o acordo em torno da jornada de 40 horas semanais representa “uma vitória possível da classe trabalhadora neste momento”.

O parecer relatado por Leo Prates prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas e a garantia de dois dias de descanso semanal.

Antes de anunciar apoio à escala 4×3, Sóstenes Cavalcante vinha fazendo críticas públicas à proposta de redução da jornada. Em abril, o deputado afirmou que o fim da escala 6×1 “criaria um problema maior ao trabalhador” e defendeu um modelo de remuneração por hora trabalhada. Em outro momento, classificou a PEC como um “texto horroroso”.

A votação do parecer está prevista para esta quarta-feira (27) na comissão especial da Câmara. Caso aprovado, o texto poderá seguir para análise do plenário da Casa ainda nesta semana.

 





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