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Eduardo Bolsonaro atuou para minar Tarcísio em conversas com o pai, revela PF

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Por Cleber Lourenço

O relatório final da Polícia Federal traz novos elementos que revelam como Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do ex-presidente, trabalhou ativamente para enfraquecer a imagem do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, considerado por muitos como um dos nomes mais fortes da direita para a disputa presidencial de 2026. As comunicações analisadas pelos investigadores apontam uma estratégia de Eduardo para manter Jair Bolsonaro como figura central e evitar que surjam alternativas capazes de dividir o campo bolsonarista.

De acordo com as mensagens interceptadas, Eduardo disse ao pai que Tarcísio “nunca te ajudou em nada no STF” e que o governador estaria “se aquecendo para 2026”. O deputado relatou ainda ter atuado junto a interlocutores nos Estados Unidos para desconstruir a associação direta entre Tarcísio e Bolsonaro, resumida na expressão “Tarcísio = Bolsonaro”. Segundo ele, essa equivalência poderia diminuir o interesse de Washington em se mobilizar pelo ex-presidente. Nas palavras do filho, era necessário convencer os norte-americanos de que apenas Jair Bolsonaro, e não Tarcísio, representava a peça-chave da direita brasileira.

Em uma das passagens mais reveladoras, Eduardo afirmou que uma possível “solução Tarcísio” seria suficiente apenas para “resolver a vida da Faria Lima”, referência ao setor financeiro paulista, mas não teria efeito concreto sobre a situação jurídica delicada de Jair Bolsonaro.

Para a Polícia Federal, esses trechos indicam que havia uma ação deliberada do deputado para inviabilizar a ascensão de qualquer candidatura alternativa, reforçando o protagonismo do pai. O documento registra ainda a formulação de que, independentemente de ser “com TF (Tarcísio) ou você (Bolsonaro)”, Donald Trump teria um aliado no Brasil em 2027, demonstrando como o eixo de articulação com os EUA esteve presente em todas as conversas.

O relatório dedica atenção também ao episódio da crise pública entre Eduardo e Tarcísio, após críticas do deputado à condução da política comercial brasileira em relação aos Estados Unidos. Em tom de desabafo, Eduardo chegou a dizer que Jair poderia “decretar o resto da minha vida nesta porra aqui” — referindo-se a permanecer nos EUA — caso o apoio a Tarcísio lhe causasse prejuízos políticos.

Tarcísio

Diante da repercussão, Jair Bolsonaro cogitou usar uma entrevista à CNN para minimizar os danos, mas Eduardo interveio de maneira enfática: “não fale nada”. A PF anota que a imprensa, incluindo veículos de grande circulação, já haviam relatado essa tensão pública entre ambos.

Para os investigadores, a ofensiva de Eduardo tem um peso político que vai além das divergências pessoais. O relatório sustenta que o deputado atuou para minar qualquer movimento que pudesse apresentar Tarcísio como alternativa viável, mesmo que isso implicasse em desgastar um aliado estratégico do bolsonarismo em São Paulo.

A análise da PF sugere que não havia espaço para uma candidatura de direita que não passasse por Jair Bolsonaro, e que Eduardo se empenhou em preservar esse monopólio de liderança, mesmo ao custo de acentuar fissuras internas. Esse quadro reforça a leitura de que a disputa pelo controle da direita contamina a relação entre Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, projetando uma divisão que pode ter efeitos duradouros no cenário eleitoral brasileiro.





Fonte: ICL

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