Início BRASIL Douglas Ruas e Eduardo Paes disputarão o segundo turno no Rio

Douglas Ruas e Eduardo Paes disputarão o segundo turno no Rio

0


Por Gabriele Maia – Tempo Real RJ

Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) estão matematicamente classificados para o segundo turno da eleição para governador do Rio de Janeiro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com 99,46% das urnas apuradas, Ruas soma 49,31% enquanto Paes tem 42,72% dos votos válidos.

Apesar do TSE informar que a eleição já está matematicamente decidida, há ainda dúvida sobre o que acontecerá com os 273.109 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), que estão sub judice.

A disputa pelo Palácio Guanabara será decidida, então, em 25 de outubro.

Douglas Ruas: da Alerj à disputa pelo governo

Douglas Ruas (PL), de 37 anos, chegou à disputa pelo governo como deputado estadual em primeiro mandato e presidente da Assembleia Legislativa (Alerj). Nascido em São Gonçalo, ele é filho do prefeito da cidade, Capitão Nelson (PL), e servidor concursado da Polícia Civil.

Antes de chegar à Alerj, Ruas foi subsecretário de Trabalho de São Gonçalo e ocupou cargos na administração municipal durante a gestão do pai. Em 2022, foi eleito deputado estadual com 175.977 votos, mas não ficou muito tempo no cargo, já que se licenciou do mandato para assumir a secretaria estadual das Cidades, onde permaneceu até março de 2026.

O ‘Rio Real’ contra o ‘Rio das novelas’

A campanha transformou sua cidade de origem, São Gonçalo, em uma das principais marcas de Ruas. Sob o nome “Rio Real”, a coligação do PL apresentou o candidato como uma alternativa à política tradicional a partir da oposição entre o estado “da Região Metropolitana e do interior” e o “Rio das novelas”, de uma Zona Sul supostamente privilegiada pelo ex-prefeito Eduardo Paes.

Além disso, sua juventude e experiência como policial civil também foi incorporada à estratégia para conquistar o eleitorado que, segundo a pesquisa BTG/Nexus divulgada em 30 de setembro, vê a questão da segurança pública como o problema mais urgente do Brasil.

A trajetória de Ruas, porém, trazia uma contradição que virou alvo frequente de Paes: embora fosse apresentado como uma novidade eleitoral, ele havia sido secretário de Cláudio Castro (PL) até poucos meses antes de disputar o governo.

Na campanha, o candidato do PL buscou evitar que essa relação definisse sua candidatura e reforçou a ligação com Flávio Bolsonaro (PL). Ruas passou a se apresentar como o nome escolhido diretamente pelo senador para disputar o governo do estado.

Flávio Bolsonaro (PL) e Douglas Ruas (PL) durante evento em Copacabana – Foto: Divulgação

A estratégia ganhou força na reta final, quando Ruas passou a concentrar boa parte dos votos de eleitores autodeclarados como “bolsonaristas”.

Para tentar vencer Paes, Douglas Ruas construiu a campanha em torno da ideia de renovação e atacou o adversário como representante da “velha política”, nacionalizando a disputa ao explorar a relação entre o ex-prefeito do Rio e o presidente Lula (PT) durante episódios do escândalo da Lava Jato.

Eduardo Paes: da experiência na capital à tentativa de conquistar o estado

Na campanha pelo governo, Eduardo Paes (PSD) fez da experiência à frente da Prefeitura do Rio sua principal credencial. O candidato recorreu sobretudo às intervenções no transporte público para apresentar o que chamou de resultados concretos de gestão, com destaque para a renovação e expansão da frota do BRT — uma pauta capaz de alcançar também moradores da Região Metropolitana que dependem do sistema.

A Linha 3 do metrô, projeto que prevê a ligação entre Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, entrou na mesma estratégia.

A troca do chapéu Panamá pelo de vaqueiro

Muito associado à imagem de prefeito carioca, Paes tentou ampliar seu personagem eleitoral para além da capital. O chapéu de vaqueiro, as cavalgadas e as agendas pelo interior passaram a fazer parte da campanha, numa tentativa de se aproximar de um eleitorado que tradicionalmente não está no centro de sua vida política.

Captura de tela 2026 10 01 154706
Eduardo Paes (PSD) e Benedita da Silva (PT) em Itaguaí durante a campanha eleitoral de 2026 – Foto: Reprodução/Redes sociais

Jane Reis (MDB), integrante de uma das principais famílias políticas de Duque de Caxias, também foi parte dessa estratégia. A escolha da vice ajudou a aproximar a chapa da Baixada e reforçou o esforço de Paes para se apresentar como candidato de todo o estado, e não apenas da cidade do Rio.

O ataque à ‘continuidade’ do governo Cláudio Castro

Paes sustentou, durante a campanha, a narrativa de que seu adversário Douglas Ruas (PL) representava a “continuidade” do grupo político que comandou o estado nos últimos anos. O candidato explorou principalmente a passagem de Ruas pela secretaria estadual das Cidades durante o governo Cláudio Castro (PL) e sua relação política com Rodrigo Bacellar (União) — ex-presidente da Alerj preso por manter uma suposta ligação com o Comando Vermelho.

Na reta final, Eduardo Paes também explorou a investigação sobre irregularidades encontradas na secretaria gerida por Douglas Ruas. Segundo a apuração, empresas contratadas pela pasta para executar obras públicas compravam materiais de uma pedreira da família do deputado Altineu Côrtes (PL), que, por sua vez, contratou uma companhia ligada a Ruas para transportar brita por R$ 1,5 milhão.

A eleição que também foi disputada na Justiça

Com munição de sobra dos dois lados, a disputa entre Eduardo Paes e Douglas Ruas ganhou um segundo campo de batalha: o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). Ao longo da campanha, as duas coligações recorreram repetidamente à Justiça para tentar tirar do ar propagandas do adversário, conseguir direito de resposta ou impedir a divulgação de conteúdos considerados ofensivos ou falsos.

Entraram na mira das decisões publicações nas redes sociais, inserções na televisão e no rádio e até movimentações “robóticas” de perfis nas redes.

E a disputa judicial reproduziu justamente as principais narrativas das duas campanhas. Paes tentou associar Ruas a Castro, Bacellar e ao crime organizado, enquanto o candidato do PL buscava atacar a ligação de Paes com Lula e citar episódios da Lava Jato.





ICL Notícias

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Sair da versão mobile