Diretor de “Dark Horse”, o norte-americano Cyrus Nowrasteh afirmou que os valores divulgados como custo do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estão “ridiculamente inflados”. A publicação, feita nesta quinta-feira (10 na rede social X, foi destacada pelo jornalista Paulo Motoryn durante o ICL Notícias – 1ª edição desta sexta-feira (11).
A declaração ocorre em meio às investigações sobre o financiamento do projeto. Segundo reportagem publicada pelo Intercept Brasil em maio, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência, teria solicitado US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para financiar a cinebiografia.
Nowrasteh reagiu a uma publicação que comparava o orçamento atribuído a “Dark Horse” com o de filmes vencedores do Oscar. Segundo ele, os números apresentados misturam os gastos efetivos da produção com projeções para marketing e publicidade.
O valor atribuído ao projeto foi comparado pelo jornal O Globo ao orçamento de vencedores do Oscar. Filmes como “Anora”, “Parasita”, “Moonlight” e “A Forma da Água”, por exemplo, tiveram custos de produção inferiores a US$ 24 milhões.
“Os números sendo divulgados para o custo do filme são ridiculamente inflados. Eles incluem custos projetados de marketing para ‘Dark Horse’”, escreveu. O diretor acrescentou que, nos Estados Unidos, os gastos de produção e divulgação normalmente são contabilizados separadamente e afirmou que o custo de produção do longa foi inferior ao da maioria dos filmes usados na comparação.
“Marketing e publicidade para um filme frequentemente excedem os custos de produção. Nos EUA, não combinamos os dois, como fazem no Brasil. Por favor, tenha isso em mente. Os custos de produção deste filme foram menores que a maioria, se não todos, dos filmes listados”, escreveu.

Para Motoryn, a manifestação do próprio diretor acrescenta um elemento relevante às apurações sobre os valores envolvidos no projeto.
“A gente tem o diretor do ‘Dark Horse’ falando que os custos estão sendo inflados e que os custos da produção são muito menores que os outros filmes listados”, afirmou o jornalista. “É uma pista muito importante para nossa investigação, seja do jornalismo, seja da Polícia Federal.”
Investigação sobre ‘Dark Horse’
Flávio Bolsonaro é investigado pela Polícia Federal em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento do filme. A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça em 22 de julho, após pedido da PF e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A apuração investiga a atuação de Flávio na obtenção e cobrança de recursos junto a Vorcaro. Segundo os investigadores, mensagens, ligações e registros de encontros encontrados no celular do banqueiro indicariam participação direta do senador nas tratativas.
Nesta quinta-feira (10), a PF deflagrou uma operação relacionada ao financiamento de “Dark Horse”. Entre os alvos de busca e apreensão estavam o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Gama, produtora do longa e responsável por entidades que receberam recursos de emendas parlamentares.