O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a reunião do G7 para criticar medidas protecionistas e aderir a um documento que incentiva o combate contra o crime organizado, sem que seja classificado como terrorismo.
O discurso do brasileiro ocorreu na tarde desta terça-feira, em Evian, e diante do presidente Donald Trump.
Conforme o ICL Notícias tinha antecipado, Lula não tocaria no nome do americano. Mas ao falar sobre o combate à pobreza, Lula insistiu que, nas cúpulas anteriores, os líderes sempre confrontaram “crises e desafios que afetam milhões de pessoas ao redor do mundo”.
“Mas em nenhuma conseguimos construir respostas coletivas e duradouras. Ficamos aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos”, disse.
Lula ainda atacou o atual modelo econômico. “O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias”, disse.
“Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, alertou.
Segundo ele, a” distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo”.
“Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado”, insistiu. “O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial.
A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários”, disse.
Segundo ele, o mundo caminha na contramão da Agenda 2030.
“Faltam 4 trilhões de dólares por ano para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
A COP-30 voltou a evidenciar a distância entre os compromissos assumidos pelos países desenvolvidos e os recursos efetivamente mobilizados para cumpri-los”, disse.
Ele ainda alertou que, para acelerar a implementação do Acordo de Paris, é preciso ampliar o financiamento climático para, pelo menos, um trilhão e trezentos bilhões de dólares.
“Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe”, criticou. “No ano passado, registramos queda histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento”, afirmou Lula.
Segundo ele, o Programa Mundial de Alimentos perdeu cerca de 40% de seu financiamento.
A Organização Mundial da Saúde e o UNICEF reduziram seus orçamentos em mais de 20%.
“Não são cifras abstratas”, disse.
“Elas impactam diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento. São milhões de pessoas sem acesso à alimentação adequada; crianças sem frequentar a escola; mulheres privadas de proteção; e comunidades vulneráveis diante de doenças que podem ser prevenidas”, afirmou.
Para Lula, guerras e conflitos também continuam desviando o foco da agenda do desenvolvimento. “Os gastos militares anuais somam quase 3 trilhões de dólares. Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica”, afirmou.
