Início BRASIL Defesa nega que PMs mataram Gritzbach e diz que agentes civis são...

Defesa nega que PMs mataram Gritzbach e diz que agentes civis são culpados

0


Por Eduarda Esteves, Luana Takahashi e Luis Adorno

(Uol/Folhapress) – As defesas dos três policiais militares acusados pelo assassinato de Vinicius Gritzbach, 38, delator do PCC (Primeiro Comando da Capital), negam a participação deles no crime e alegam que a acusação foi forjada.

Os réus no caso Gritzbach são o soldado Ruan Silva Rodrigues, o cabo Dênis Antônio Martins e o tenente Fernando Genauro da Silva. Eles estão presos preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes e são acusados de homicídio doloso e organização criminosa. Além de Gritzbach, os três também vão responder pelo homicídio de Celso Araújo Sampaio Novaes e pelas tentativas de homicídios de Willian Souza Santos e Samara de Oliveira. Eles estavam no aeroporto no dia em que o delator do PCC foi assassinado e acabaram atingidos pelos disparos.

Defesa afirma que uma “banda podre da Polícia Civil” é responsável pela morte do empresário. Segundo o advogado Claudio Dalledone, um grupo de agentes civis de São Paulo extorquia a vítima e tinha “todo o interesse e a motivação para dar cabo à vida dele”. Ele diz que as provas materiais e documentais dessa afirmação serão apresentadas durante o júri.

Devido a suposta participação de policiais civis, defensores acusam o DHPP (Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa) da capital de forjar provas. A investigação policial e o Ministério Público encontraram a geolocalização dos réus, além de material genético dos três PMs em itens supostamente usados no crime, como carro, armas, roupas e balas, deixados em Guarulhos.

Defensores, no entanto, descartam a legitimidade das provas periciais e afirmam que PMs não estavam no aeroporto no dia do assassinato. Segundo eles, o único motivo que fez os clientes serem ligados ao crime foi o fato de serem de Osasco, região de onde Gritzbach saiu antes de ir para Guarulhos.

Defesa compara caso Gritzbach ao da vereadora Marielle Franco. “A banda podre da Polícia Civil está envolvida manipulando informações e trazendo inocentes para o banco dos réus. Retiraram os verdadeiros culpados e colocaram a culpa na Polícia Militar, em três policiais honrados, que nunca responderam a um processo criminal”, diz o advogado Renan Canto.

O cabo Dênis, do 30º Batalhão (Carapicuíba), é apontado como um dos atiradores que executou Gritzbach. O soldado Ruan, do 20º Batalhão (Barueri) é apontado pela Corregedoria da PM como o segundo atirador. Ele é amigo do cabo Dênis

O tenente Genauro, do 23º Batalhão (Pinheiros), foi acusado de dirigir o carro que deu fuga para o cabo e o soldado. Ele e Dênis trabalharam na Força Tática do 42º Batalhão, em Osasco (SP), e atuaram na mesma viatura em 16 de novembro de 2013. O tenente era amigo de Gritzbach e frequentava a casa dele.

Foram relacionadas 21 testemunhas para serem ouvidas, além dos três réus que serão interrogados. Segundo o Tribunal de Justiça, o júri vai ser presidido pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo. O magistrado já comandou júris de casos de grande repercussão, como o dos policiais militares envolvidos na chacina de 111 presos da Casa de Detenção, na zona norte da capital. O caso ficou mundialmente conhecido como Massacre do Carandiru e ocorreu em 2 de outubro de 1992.

Os dois homens apontados como mandantes do crime estão foragidos. Eles foram identificados como o narcotraficante Emílio Carlos Gongorra Castilho, o Bill ou Cigarreiro, e Diego dos Santos Amaral, o Didi.
O olheiro do PCC Kauê do Amaral Coelho, que estava no aeroporto no dia do crime, também está foragido. Ele é acusado de ter avisado aos atiradores o exato momento em que a vítima deixava o saguão do Terminal 2 do aeroporto.

Eles não serão julgados no júri que começa nesta segunda. A Promotoria explicou que Kauê e Cigarreiro não são citados formalmente no processo e que, por isso, a ação está suspensa. “Esse é o termo técnico que a gente usa quando a pessoa não teve conhecimento formal da acusação. Ela não recebeu a cópia da denúncia e nem compareceu no processo por intermédio de advogado. Não é só que o acusado está foragido, mas também não tem ciência oficial e formal que tem um processo correndo contra ela. Nessas situações, a lei não deixa que o processo prossiga, então ele fica suspenso”, explica o promotor Rodrigo Merli, do Ministério Público de São Paulo.

“Quando eles forem presos, vão tomar conhecimento formal da acusação e o processo pode ter andamento. Ou se eles constituírem algum advogado, mesmo que estejam foragidos, o processo pode começar a andar”, disse Rodrigo Merli, promotor do MP-SP.

Diego dos Santos Amaral também está foragido, mas constituiu advogado. Só que, no caso dele, o processo foi desmembrado pelo Tribunal. Há recursos que precisam ser analisados pela Justiça. “Sem o julgamento desse recurso, ele não pode ir a júri popular”. No caso dos três PMs que serão julgados a partir de hoje, não há nenhuma pendência de recurso.

Os três nunca foram localizados pela polícia e respondem pelos crimes de homicídio e organização criminosa. Didi é tio de Kauê e participou, junto com Cigarreiro, do sequestro de Gritzbach em janeiro de 2022, no Tatuapé, zona leste de São Paulo. Na ocasião, a vítima foi levada a um “tribunal do crime” após ser acusado de ter mandado matar o narcotraficante Antônio Bechelli Santa Fausta, 38, o Cara Preta, criminoso influente no PCC, assassinado a tiros em 27 de dezembro de 2021 no Tatuapé.

Cigarreiro é ligado ao CV (Comando Vermelho) do Rio de Janeiro e ao PCC em São Paulo. Ele foi apresentado a integrantes da facção criminosa paulista por Cara Preta. Um dia antes do assassinato de Gritzbach, ele fretou um avião em Jundiaí (SP) e foi para o Rio, onde se refugiou na Vila Cruzeiro, Penha, reduto do CV.

Vinícius Gritzbach foi assassinado a tiros em 8 de novembro de 2024. O empresário havia desembarcado no Aeroporto Internacional de Guarulhos e foi surpreendido pelos criminosos armados.
Gritzbach se tornou um dos principais delatores do PCC. As investigações sobre o assassinato dele desvendaram a participação de policiais civis e militares associados ao crime organizado.

Para o DHPP, Gritzbach foi assassinado porque desviou R$ 100 milhões em criptomoedas de Cara Preta e ordenou a morte dele. Ele também sumiu com outros R$ 4 milhões de Cigarreiro; e ainda delatou integrantes do PCC para o MP-SP.

As investigações apontam que Gritzbach foi morto por um consórcio formado por criminosos do PCC e do CV, com a participação dos três PMs. Além de Cigarreiro e Didi, Gritzbach também havia delatado à Corregedoria da Polícia Civil um delegado e outros seis investigadores acusados por corrupção, um advogado e dois empresários vinculados ao PCC. Eles não respondem pelo homicídio.

PMs teriam aceitado promessa de recompensa para a execução e participação no crime. Ainda conforme a denúncia do MP, eles agiram “como verdadeiros mercenários e matadores de aluguel”.





ICL Notícias

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Sair da versão mobile