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Daniel Vorcaro e pai prestaram depoimentos à PF sobre ‘A Turma’

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O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seu pai, Henrique Vorcaro, prestaram depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira (30) no inquérito que investiga a atuação dos grupos chamados de “A Turma” e “Os Meninos”. As investigações da Polícia Federal (PF) apuram suspeitas de intimidação, ameaças, ataques cibernéticos e monitoramento ilegal de adversários e jornalistas.

Preso na Papudinha, em Brasília, Daniel foi ouvido por videoconferência, sob sigilo, às 14h. Durante o depoimento, o ex-banqueiro negou que tenha ordenado atos de violência. Segundo as investigações da PF, esses grupos agiam como uma milícia privada a serviço do ex-dono do Master. No interrogatório, Vorcaro afirmou que não houve nenhuma vítima da “A Turma” ou “Os Meninos”.

Em nota, os advogados Sergio Leonardo e Daniel Bialski, que representam o ex-banqueiro, disseram: “O investigado jamais praticou, determinou ou se envolveu em qualquer ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça contra quem quer que seja, fato que é reconhecido nos autos pelos próprios investigadores e pelas testemunhas já ouvidas”.

“Ressalta-se que após 8 meses de investigações, não há nenhuma vítima dos supostos fatos citados na portaria inaugural do Inquérito Policial”, acrescenta a declaração.

Além disso, o ex-banqueiro também negou que tenha planejado um esquema de fuga do país momentos antes da ordem de prisão no dia 17 de novembro de 2025.

Henrique Vorcaro, que está detido em Belo Horizonte (MG), prestou depoimento às 16h, também sem transmissão pública. Ele é suspeito de ser o operador financeiro do grupo A” Turma”, que era coordenado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”.

“Documentos e testemunhos provam que H [Henrique] manteve relações comerciais com três dessas pessoas. Tudo devidamente registrado e documentado. E desde 2021, antes de se saber da existência das ilicitudes apontadas para Daniel. O excesso e a desnecessidade dessa prisão são evidentes! E estamos sem Relator no STF que decida sobre esse verdadeiro absurdo! Ao Min. Mendonça, já pedimos e continuamos sem resposta”, diz a nota da defesa de Henrique.

Em carta enviada ao ministro André Mendonça, do STF, ele afirmou que não tem relação com as pessoas mencionadas nas conversas analisadas pela investigação. Segundo Henrique, eventuais pagamentos feitos a terceiros estavam relacionados a empreendimentos e ele não teria conhecimento de qualquer utilização desses valores para atividades de intimidação ou para integrantes da chamada “A Turma”.

Os depoimentos desta quarta-feira fazem parte da etapa final de um dos inquéritos conduzidos pela Polícia Federal sobre o caso.

As oitivas já haviam sido adiadas depois que as defesas alegaram não ter tido acesso aos autos. Segundo os advogados, o material referente à investigação foi consultado somente na sexta-feira (25).

O ex-banqueiro deve aproveitar a oportunidade para reforçar aos investigadores que pode ter muito a contribuir com as apurações sobre fraudes bilionárias no Banco Master em “momento oportuno”.

A PF aponta que “A Turma” teria funcionado como uma espécie de braço armado ligado a Vorcaro, com atuação voltada à intimidação de adversários e ataques contra jornalistas. Já “Os Meninos” seriam ligados à parte tecnológica do esquema, com suspeitas de invasão de sistemas, derrubada de perfis e monitoramento de telefones e sistemas de comunicação.

De acordo com a investigação, integrantes dos grupos também teriam conseguido acessar sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Interpol. As informações obtidas seriam repassadas antecipadamente a Vorcaro e poderiam interferir no andamento de investigações.

Com o depoimento dos principais alvos, a apuração sobre “A Turma” entra em sua fase final. A Polícia Federal trabalha com a possibilidade de concluir o inquérito em outubro e encaminhar ao STF a relação dos possíveis indiciados, entre eles Daniel e Henrique Vorcaro.

Argumentos da defesa de Vorcaro

Segundo a defesa, as mensagens encontradas no celular de Vorcaro eram apenas “eventuais desabafos, oriundos de recortes maliciosos de mensagens privadas, proferidos em momento de indignação a terceiros”. Os advogados também classificaram o ex-banqueiro como uma pessoa de  “perfil pacífico”.

Uma das mensagens analisadas pela PF mostra o ex-banqueiro afirmando querer “quebrar os dentes” do jornalista Lauro Jardim, do O Globo. A conversa é tratada pelos investigadores no contexto das suspeitas de intimidação de adversários e jornalistas.

Entre os argumentos da defesa, está também, o que inclui a afirmação de que as testemunhas ouvidas pela PF disseram não manter conversas com o ex-banqueiro.

A defesa alegou ainda que eventuais orientações dadas por Vorcaro estavam relacionadas a pagamentos ou ao registro de boletins de ocorrência contra pessoas que o criticavam.

No depoimento, Vorcaro também disse colaborar com as investigações sobre as suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master em um momento posterior.

Os advogados também voltaram a pedir a revogação da prisão preventiva de Vorcaro para interromper o que chamam de “prisão por razões políticas”. O ex-dono do Master está preso há quase oito meses e ainda não foi denunciado.





ICL Notícias

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