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Copa de 2026 vai entrar para a história como mais excludente

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Por Ana Clara Ferreira*

A Copa do Mundo de 2026, que começou nesta quinta-feira (11) e será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, chega cercada por polêmicas. Antes mesmo de a bola rolar, o torneio tem sido alvo de críticas por causa das políticas migratórias adotadas pelo governo Trump e de decisões que restringem a participação de torcedores, jornalistas e profissionais ligados ao evento. Enquanto isso, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, evita confrontar o republicano.

Durante uma coletiva na última quarta-feira (10), Infantino foi questionado sobre as restrições migratórias e sobre a aparente perda de controle da entidade no próprio torneio, ao que ele respondeu: “em todos os países existem governos” e afirmou que “a segurança vem acima de tudo”.

A declaração contrasta com posicionamentos anteriores da própria Fifa, que já destacou a importância da liberdade de circulação em eventos globais como a Copa do Mundo.

Ao mesmo tempo em que alegou não ter “poder para interferir nas decisões migratórias” de países sede, Infantino afirmou que a presença da seleção iraniana no torneio já representaria uma vitória diplomática. “Acho que já foi um sucesso trazer o Irã para jogar nos Estados Unidos”, disse.

Confira a declaração

A declaração chamou atenção porque a própria Fifa costuma exercer forte influência sobre os países que recebem suas competições, como o presidente confirmou. Em Copas anteriores, governos alteraram legislações, adaptaram estruturas e atenderam exigências da entidade para sediar o mundial, como ressaltou o professor de educação física e ex-árbitro de futebol, Márcio Chagas, em entrevista ao N1, do ICL, nesta quinta-feira.

Para Chagas, a postura da entidade diante das políticas adotadas pelo governo americano demonstra alinhamento com interesses políticos e econômicos. “A Fifa se curva ao capitalismo, se curva ao trumpismo e adota um discurso de que o esporte e o futebol não se misturam com política. Se misturam e muito”, disse.

Assista o comentário na íntegra:

Além do viés político, outro aspecto da 23ª edição da Copa tem gerado críticas: o preço dos ingressos. Setores tradicionalmente associados ao público popular, como as arquibancadas, registram valores elevados, impulsionados pelo sistema de precificação dinâmica adotado pela Fifa. Na prática, quanto maior a procura por uma partida, mais caro fica o ingresso.

O modelo tem sido alvo de críticas por restringir o acesso de torcedores de menor renda e alterar o perfil tradicional do público presente nos estádios.

Cronologia dos fatos

O caso mais recente envolve o somali Omar Artan, considerado um dos principais árbitros do continente africano. Primeiro representante da Somália escalado para trabalhar na Copa, ele foi impedido de entrar nos Estados Unidos após ser associado, sem provas públicas apresentadas, a supostos vínculos com terrorismo.

Uma publicação feita pelo árbitro em 2022, na rede X, criticando a política dos Estados Unidos na Somália é apontada como uma das possíveis motivações para o impedimento.

Em casa, no retorno dos EUA, Omar foi recebido pela população como herói.

Poucos dias antes, a Fifa também havia solicitado a retirada de um elemento visual do uniforme da seleção do Haiti. O símbolo fazia referência à Batalha de Vertières, marco da independência haitiana contra o domínio francês, em 1804.

As controvérsias se somam às preocupações de organizações de direitos humanos e profissionais da imprensa sobre o impacto das políticas migratórias adotadas pelos Estados Unidos sobre visitantes da Copa, o que afeta diretamente torcedores e jornalistas de países africanos e sul-americanos por exemplo.

A sucessão desses acontecimentos ocorre em um momento em que a Fifa tenta apresentar a edição de 2026 como a maior Copa da história. Até aqui, porém, debates sobre imigração, acesso ao torneio e liberdade de circulação têm dividido atenções com o futebol e alimentado críticas à condução do evento.

*Estagiária sob a supervisão de Schirlei Alves





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