O índice de insegurança alimentar (IA) nos lares brasileiros caiu de 27,6% para 24,2% no último ano. Embora a média nacional tenha tido uma melhora, a quantidade de domicílios nessas condições ainda é de 18,9 milhões. O Distrito Federal, no entanto, não acompanhou essa queda. Entre 2023 e 2024, a capital federal subiu de 23,5% para 27% os domicílios com algum nível de insegurança alimentar.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última sexta-feira (10) e fazem parte de uma pesquisa sobre o tema da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua.
Além do DF, outros três estados apresentaram aumento no índice de IA: Roraima, que subiu de 36,4% para 43,6%; Amapá, que passou de 30,7% para 32,5%; e Tocantins, que saiu de 28,9% para 29,6%.
Segundo a presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) no DF, Albaneide Peixinho, a piora evidencia que a fome e a insegurança alimentar não estão apenas relacionadas ao nível médio de renda, mas à desigualdade social e territorial no acesso aos alimentos adequados e saudáveis.
“Essa piora chama atenção sobretudo porque o DF possui a maior renda média domiciliar per capita do Brasil, mas também a maior desigualdade de renda segundo o próprio IBGE”, explica. O rendimento médio domiciliar registrado no DF pelo IBGE foi de R$ 3.444. O número é 66% maior que a média nacional, que ficou em R$ 2.069.
Nos domicílios que constaram com insegurança alimentar, dois em cada três tinham renda per capita de até um salário mínimo. Ou seja, 66% dos casos. Já os lares com rendimento superior a dois salários mínimos representaram 7,4%.
Políticas públicas
O DF dispõe de uma gama de programas e equipamentos públicos voltados à segurança alimentar, como os restaurantes comunitários, o banco de alimentos de Brasília e o benefício do Cartão Prato Cheio. No entanto, na percepção de Peixinho, há um descompasso entre a existência dessas políticas públicas e o alcance territorial.
“O desafio do Distrito Federal não é apenas manter programas e equipamentos em funcionamento, mas garantir que ele chegue efetivamente às famílias que mais precisam com articulação intersetorial entre as políticas de assistência social, saúde, educação, segurança pública, abastecimento e agricultura familiar. É essencial que essas políticas públicas dialoguem entre si e com a sociedade civil”, destaca.
Ainda segundo o levantamento do IBGE, as mulheres eram as principais responsáveis por domicílios que sofrem com a insegurança alimentar no Brasil (59,9%). A vulnerabilidade alimentar é maior em residências onde residiam crianças ou adolescentes: 3,3% da população de 0 a 4 anos e 3,8% da população de 5 a 17 anos. Na população idosa (65 anos ou mais) a proporção foi de 2,3%.
“Precisamos de mais pesquisas sobre a realidade do estado nutricional da população, formação do controle social para exercer o seu direito de monitorar e fiscalizar as políticas existentes e propor alternativas para o gestor público possa envidar esforços políticos e financeiros para sair desse triste índice”, avalia a presidente do Consea.
