O Congresso do Paraguai suspendeu, nesta quinta-feira (5), a sessão que analisava a renúncia do presidente Santiago Peña. A votação foi interrompida depois que parlamentares governistas deixaram o plenário e provocaram a perda do quórum necessário para a continuidade dos trabalhos.
A decisão ocorreu durante uma sessão conjunta do Legislativo, convocada para decidir se os congressistas aceitariam formalmente a saída de Peña da Presidência. Durante a votação nominal, deputados aliados ao governo começaram a abandonar o recinto, impedindo que o número mínimo de 41 parlamentares fosse alcançado.
O esvaziamento do plenário provocou reação da oposição, que contestou a estratégia dos governistas. Do lado de fora do Congresso, manifestantes entraram em confronto com policiais após a suspensão da sessão.
Mesmo com a interrupção da votação sobre a renúncia, o processo de impeachment contra Peña deve continuar. O presidente do Senado, Basilio Núñez, convocou uma reunião de emergência para esta quinta-feira, com o objetivo de dar andamento à abertura do julgamento político.
Pouco depois da suspensão, Peña publicou uma mensagem nas redes sociais afirmando que pretende apresentar sua defesa no processo de impeachment. Segundo ele, a manifestação será acompanhada de argumentos e provas, em respeito à Constituição e às instituições paraguaias.
Crise financeira provoca queda política
A renúncia de Peña foi anunciada em meio à crise envolvendo o Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do Paraguai, que possui aproximadamente 2,9 milhões de clientes.
O escândalo financeiro provocou denúncias de irregularidades, protestos e a prisão de oito pessoas ligadas ao banco. A instituição teve suas atividades encerradas após uma intervenção do Banco Central paraguaio, que identificou uma deterioração de sua situação financeira.
A oposição acusa Peña de favorecer o banco por meio de decisões regulatórias e da concentração de recursos previdenciários na instituição. As suspeitas também envolvem um possível conflito de interesses, já que o presidente foi investidor da holding controladora do Ueno Bank até março de 2025.
A crise também provocou a renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, indicado por Peña para o cargo.
O Banco Central informou que garantirá depósitos de até US$ 38 mil por cliente, aproximadamente R$ 208 mil, com prazo de até 15 dias para efetuar os pagamentos.
Renúncia poderia garantir imunidade
A aceitação formal da renúncia pelo Congresso teria consequências importantes para o futuro político e jurídico de Peña. Caso aprovada, a saída permitiria que ele assumisse uma vaga de senador vitalício, condição que lhe garantiria imunidade parlamentar.
Com a suspensão da votação, porém, o futuro da Presidência paraguaia permanece indefinido. Caso a renúncia seja aceita, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país.
Enquanto isso, a oposição mantém a pressão pela destituição de Peña, em meio ao agravamento da crise política e financeira no Paraguai.
