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Companhia de água do RJ aplicou R$ 231 mi no Master e ficou sem resgate

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Por Gabriele Maia – Tempo Real 

A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) investiu, ao longo de 2024, R$ 231 milhões no Banco Master, liquididado extrajudicialmente na manhã desta terça-feira (18) pelo Banco Central. Segundo a última atualização pública das finanças da companhia, referente a 31 de dezembro, o dinheiro estava alocado em um único CDB do Master.

Hoje, segundo fontes da empresa, o montante aplicado chegaria a R$ 255 milhões. O presidente do banco, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.

O valor investido em 2024 representava 8,4% de toda a carteira de investimentos da Cedae, uma concentração acima da registrada em bancos consolidados, como Bradesco (R$ 178,7 milhões) e Banco do Brasil (R$ 128 milhões).

No investimento, não havia outros ativos ou instituições para dividir o risco — se o Master tivesse problema, o dinheiro ficaria preso ali, como de fato ocorreu.

Cedae tentou resgatar R$ 40 milhões

Antes da liquidação extrajudicial, a Cedae tentou sacar parte do dinheiro aplicado no Master, pedindo o resgate de duas parcelas de R$ 20 milhões, segundo fontes da empresa. No Fato Relevante divulgado ao mercado, a companhia admitiu que o banco não fez o pagamento.

Com a liquidação, todos os pagamentos do Master ficam suspensos, e a Cedae terá de entrar na fila de credores para tentar recuperar os valores. A empresa afirma que está avaliando o impacto nas contas e que seguirá informando seus investidores conforme as regras da Comissão de Valores Mobiliários.

O Conselho de Administração já alertava sobre o risco de concentração no Master havia cerca de um ano. Mesmo assim, as decisões de investimento — feitas pela diretoria — mantiveram a exposição.

A política financeira da estatal recomenda priorizar aplicações de baixo risco e fácil resgate. Mas o Master já não honrava pagamentos antes da intervenção policial, e não oferecia o nível de segurança esperado para figurar entre os maiores destinos de recursos da companhia.

Fraude de R$ 12,2 bi levou à queda

O Banco Master foi liquidado no mesmo dia em que a Polícia Federal prendeu seu dono, Daniel Vorcaro, na operação Compliance Zero. Segundo o Ministério Público Federal, o banco vendeu ao BRB R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito que simplesmente não existiam, usando documentos falsificados para tentar justificar os negócios.

A Justiça afirma que essa estrutura era usada para inflar artificialmente o patrimônio do Master. A fraude levou o Banco Central a intervir e determinar a liquidação do banco.

Rioprevidência também teme prejuízo
A situação da Cedae ecoa outro caso divulgado nesta terça-feira: o deputado Flávio Serafini (Psol) acionou o Ministério Público Federal para investigar a exposição do Rioprevidência, que tinha R$ 2,618 bilhões aplicados no conglomerado até julho, segundo o Tribunal de Contas do Estado.

O TCE identificou concentração excessiva, uso inadequado do Fundo Administrativo, baixa transparência e recomendou a proibição de novas aplicações.

Nota oficial da Cedae

A Cedae esclarece que investiu, em outubro de 2023, R$ 200 milhões no Banco Master. A movimentação financeira estava de acordo com as políticas de investimento, governança e compliance da Companhia e contou com o aval do Conselho de Administração.

O rendimento da aplicação foi bastante elevado para os padrões do mercado financeiro. Adotada pela Cedae em 2022, a nova política de investimentos foi um dos alicerces para o início da série de três anos de balanços superavitários.

Em setembro passado, a Companhia iniciou o resgate da aplicação, após o Banco Master sofrer rebaixamento do grau de investimento, sendo desenquadrado da política de investimento da Cedae. Os compromissos vinham sendo honrados pela instituição até ontem. Mas, com o atraso de uma parcela, a Cedae já comunicou o fato relevante à CVM e também o publicará no Diário Oficial.

A Cedae aguarda, agora, o desenrolar dos fatos para tomar as medidas jurídicas necessárias.





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