O governo brasileiro vai usar a retomada de negociações com os EUA para tentar blindar a eleição de outubro de algum tipo de ingerência institucional mais enfática do governo de Donald Trump. Na próxima segunda-feira, negociadores dos dois países vão voltar a se reunir para buscar uma saída para o tarifaço imposto pelos americanos contra o Brasil.
Em julho, os produtos nacionais foram alvos de tarifas de 25% e 12,5% por parte do governo Trump. Ainda que Brasília não aposte num acordo comercial antes das eleições, o objetivo é o de arrastar o processo durante todo o mês de setembro e, assim, para reduzir o espaço político para que a Casa Branca adote alguma nova ação contra o Brasil.
O encontro foi estabelecido depois de que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump conversaram pelo telefone, na semana passada. Na ligação o brasileiro insistiu que as tarifas contra os produtos nacionais eram “injustificadas”.
Trump, assim, orientou sua equipe a entrar em contato com o governo brasileiro e voltar a dialogar sobre o impacto do fluxo comercial.
Outra sinalização que Lula quer dar ao setor econômico nacional é de que o país continua buscando alternativas para o tarifaço e que vai continuar negociando.
No governo, porém, os interlocutores que tratam da área comercial não acreditam que haja uma viabilidade para uma retirada das tarifas antes da eleição. Não faria sentido, na avaliação deles, um “presente” de Trump para Lula neste momento.
Uma das estratégias do Brasil será a de construir, a partir da semana que vem, uma espécie de cronograma de reuniões que possam “congelar” qualquer ato hostil dos EUA contra a eleição nacional.
Se esse caminho é a aposta para reduzir as chances de uma ingerência oficial de Trump na eleição, o governo sabe que os riscos ainda são elevados. Pelo menos dois aspectos preocupam o Palácio do Planalto.
O primeiro deles é o Departamento de Estado, comandando por Marco Rubio e com uma forte presença de articuladores dos movimento MAGA.
Um risco ainda maior é o uso das Big Techs como instrumentos de desestabilização política no país.
Uma das estratégias seria o impulsionamento de desinformação a partir de perfis falsos, criados nos exterior. O material poderia promover mudanças abruptas na opinião pública, faltando poucos dias para a eleição e capaz de virar votos.
O cálculo do envolvimento das plataformas é por conta do impacto de uma reeleição para o setor. O governo estima que as Big Techs seriam os grandes perdedores com a vitória de Lula. Se o petista vencer, a estimativa é de que poderia usar seu quarto mandato para promover uma regulamentação das redes digitais e das Bets.
Um possível retorno do ativismo de Elon Musk também é monitorado, principalmente diante de seu histórico de realizar provocações em eleições em todo o mundo, às vésperas do pleito.
Esperar até o último momento para fazer a operação também impediria que houvesse tempo suficiente para investigações e eventuais denúncias do envolvimento de um grupo ou outro no processo de desestabilização.
