As fortes chuvas que atingem o México desde a semana passada provocaram enchentes e deslizamentos em cinco estados do país, deixando ao menos 64 mortos e 65 pessoas não localizadas, segundo a Coordenadoria Nacional de Proteção Civil (CNPC). As regiões mais afetadas são Veracruz, Hidalgo, Puebla, Querétaro e San Luis Potosí, onde as autoridades concentram os esforços de resgate e assistência emergencial.
O estado de Veracruz registrou o maior número de mortes até o momento, com 29 vítimas fatais. Em seguida vêm Hidalgo (21), Puebla (13) e Querétaro (1). A maior parte dos desaparecidos está em Hidalgo, com 43 registros. Também há pessoas não localizadas em Veracruz (18) e Puebla (4). Além das perdas humanas, estima-se que cerca de 100 mil moradias tenham sido danificadas pelas inundações.
As chuvas mais intensas ocorreram entre segunda (6) e quinta-feira (9) da semana passada, impulsionadas pela tempestade tropical Raymond, que se formou no Pacífico, em combinação com os remanescentes do furacão Priscilla e outros sistemas no Atlântico. A força das águas provocou o transbordamento de rios, deslizamentos de terra e o bloqueio de rodovias em várias regiões do país.

Resposta do governo e comunidades isoladas
Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (13), a presidenta Claudia Sheinbaum afirmou que seu governo não medirá esforços para apoiar as vítimas e recuperar as áreas destruídas. Segundo ela, mais de R$ 5 bilhões de pesos foram reservados neste ano para situações de desastre, dos quais quase R$ 1 bilhão já foi utilizado.
“Sei que há muita necessidade, mas não podemos atender a todos no mesmo dia”, declarou Sheinbaum, acrescentando que os apoios serão definidos com base em um censo das perdas materiais. A ação está sendo conduzida pela Secretaria do Bem-Estar e conta com 600 brigadas em campo. Ao todo, cerca de 3 mil pessoas estão envolvidas no levantamento de danos em residências, comércios e áreas agrícolas.
A presidenta também esteve nos municípios de Huauchinango e La Ceiba, no estado de Puebla, além de Poza Rica, em Veracruz, e localidades de Hidalgo. Ainda nesta segunda, ela deve visitar Querétaro e San Luis Potosí. Em algumas dessas regiões, Sheinbaum foi cobrada diretamente por moradores sobre a demora na chegada da ajuda.
As autoridades informaram que há 146 abrigos temporários em operação, que oferecem alimentos, atendimento médico e serviços básicos a cerca de 5.500 pessoas. Em Veracruz, ao menos 30 mil casas foram afetadas pelas enchentes, e 2.871 pessoas permanecem em 50 abrigos. Já em Puebla, estima-se que mais de 30 mil pessoas tenham sido impactadas, com 16 mil residências danificadas e 91 localidades ainda isoladas.
Forças armadas atuam no socorro
O Exército e a Marinha do México mobilizaram equipes para apoiar o resgate de moradores em áreas isoladas. Foram estabelecidas pontes aéreas para entregar alimentos e água potável em comunidades de difícil acesso nos estados de Hidalgo, Puebla e Veracruz. A operação envolve helicópteros militares e equipes terrestres que atuam com máquinas pesadas para desobstrução de vias.
De acordo com a CNPC, pelo menos 132 trechos de rodovias estão interrompidos nos cinco estados atingidos, sendo apenas dois em rodovias federais. Em Poza Rica, no Golfo do México, imagens divulgadas mostram militares resgatando pessoas com botes infláveis em meio a ruas alagadas e casas tomadas pela lama.
Especialistas do Serviço Meteorológico Nacional explicaram que a confluência de sistemas climáticos do Pacífico, do Atlântico e uma frente fria vinda do norte intensificaram as precipitações no fim da temporada de chuvas. O fenômeno climático foi descrito por autoridades como o mais intenso do ano até o momento.
Apesar da melhora nas condições climáticas neste início de semana, a Defesa Civil mantém o alerta para novos episódios de chuva. Governadores das regiões afetadas seguem mobilizados por videoconferência com o governo federal para coordenar as ações de resposta e reconstrução.