Início BRASIL Caso Master: problema está no uso dos recursos, diz Galípolo

Caso Master: problema está no uso dos recursos, diz Galípolo

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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19), em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o principal problema relacionado ao caso do Banco Master não estaria no passivo da instituição, mas na forma como os recursos captados foram aplicados.

Segundo ele, o ponto de atenção regulatório envolve o descompasso entre captação com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a alocação desses recursos em ativos considerados de maior risco ou fora do perfil típico do varejo, como precatórios.

“Você não quer descasamento entre passivo e ativo”, afirmou, ao defender maior rigor na supervisão desse tipo de operação.

Galípolo contextualizou o tema dentro de um movimento internacional pós-crise de 2008, quando houve endurecimento regulatório sobre bancos e aumento dos custos de conformidade. Esse cenário, segundo ele, estimulou a migração de parte da intermediação financeira para instituições não bancárias.

No Brasil, porém, o movimento teria ocorrido em direção oposta, com instituições buscando se tornar bancos para acessar captação protegida pelo FGC, ampliando potencialmente incentivos a estratégias mais arriscadas.

Medidas para fortalecer o FGC

O presidente do BC também destacou medidas recentes voltadas ao fortalecimento do sistema financeiro e do próprio FGC. Entre elas, ajustes no direcionamento de recursos para títulos públicos federais, com o objetivo de reduzir incentivos à tomada excessiva de risco por instituições associadas.

A avaliação, segundo ele, é de que o desenho regulatório deve minimizar distorções entre captação garantida e aplicação em ativos de maior volatilidade.

Juros altos e controle da inflação

Galípolo defendeu a manutenção de juros em patamar elevado como resposta ao cenário econômico atual. Ele citou uma combinação de economia aquecida, desemprego em níveis historicamente baixos e inflação pressionada por choques de oferta como justificativa para a política monetária.

Segundo o presidente do BC, a inflação recente foi impactada por fatores externos e sucessivos choques globais desde 2022, incluindo pandemia, guerra na Ucrânia, tensões comerciais e conflitos no Oriente Médio.

O dirigente reconheceu que o Brasil mantém taxas de juros sistematicamente mais altas do que economias semelhantes há anos, mas afirmou que a persistência da inflação acima da meta de 3% exige esse instrumento.

“A ferramenta do Banco Central para trazer a inflação à meta é a taxa de juros”, afirmou.

Política monetária segue cautelosa

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 29 de abril, o Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,75% para 14,5% ao ano — ainda em patamar elevado para os padrões recentes.

Apesar do corte, o comunicado da autoridade monetária manteve tom cauteloso e não sinalizou novos movimentos, condicionando os próximos passos aos efeitos de choques externos sobre a economia brasileira, incluindo a volatilidade do petróleo.

Pressão inflacionária e combustíveis no radar

A valorização do petróleo no mercado internacional foi apontada como fator adicional de pressão inflacionária no Brasil. O país depende de importações para cerca de 30% do consumo de petróleo e de aproximadamente 20% do diesel, o que torna os preços internos sensíveis às oscilações externas.

Nesse contexto, a inflação de abril avançou 0,67%, maior resultado para o mês em quatro anos, com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulando alta de 4,39% em 12 meses — próxima ao teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

Governança e independência do Banco Central

Em outro momento da audiência, Galípolo afirmou que não permitirá o uso político da instituição nem interferências na condução técnica do Banco Central. Ele respondeu a questionamentos de senadores e defendeu a manutenção estrita dos ritos de governança interna.

“O Banco Central vai seguir a governança dele até o final”, declarou, ao reforçar que a autonomia da instituição deve ser preservada independentemente de gestões ou pressões políticas.





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