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Burguesia paulista quer Tarcísio no lugar de Flávio Bolsonaro

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O último grito do Ipiranga por uma candidatura de Tarcísio de Freitas à Presidência da República veio do conservador “Estadão”, em seu editorial deste sábado (28/03):

“Partidos como o PSD e lideranças como Ratinho Jr., Caiado, Zema e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, precisam decidir que papel desejam exercer: ou assumem a condição de forças políticas com identidade e projeto próprios, ou seguirão como linha auxiliar do bolsonarismo. Não há mais espaço para essa ambiguidade.”

Uma candidatura presidencial de Tarcísio é o sonho aberto e declarado não somente do jornal dos herdeiros da família Mesquita. As entidades produtoras como Fiesp e os entes especulativos da Faria Lima ainda alimentam — até os últimos minutos do dia 4 de abril — uma reviravolta que catapulte o governador à cabeça da chapa da direita (os editorialistas chamam de centro) para concorrer ao Planalto.

O Tarcísio hipotético da cabeça da imprensa hereditária, porém, não bate com a vida real do Palácio dos Bandeirantes, onde o capitão Tarcísio, 100% bolsonarista, ajeita seu boné do Maga, e vira o maior cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro.

O último grito do Limão (bairro da sede do jornal) ecoa na burguesia emergente ou quatrocentona de SP no momento em que o Datafolha traz uma péssima notícia para o filho 01 de Jair:

O presidente Lula ultrapassa o candidato do PL entre os eleitores que se dizem de “centro”. São eleitores que se julgam fora do tal fla x flu da polarização — aqueles seres “iluminados” que decidirão a peleja de outubro.

A última semana para decidir os times eleitorais tem o grito angustiado da turma que o “Estadão” representa, mas tem também uma outra possibilidade viva, muito viva, ainda quicando nas conversas dos bacanas que frequentam o Rubaiyat Faria Lima, Varanda Dinner, Nino Cucina, Fasano, Gero, Baleia Rooftop etc.

Não é apenas uma possibilidade. É uma obsessão. A chapa Tarcísio com Michelle Bolsonaro de vice. A casta que beberica Argiano Brunello di Montalcino 2018, o vinho do banqueiro André Esteves (BTG), fala disso como quem trata de uma conspiração radical-chique. Tipo “vocês da ralé estão por fora”.

A turminha avalia que, embora Flávio Bolsonaro esteja bem nas pesquisas, o filho de Jair não suportaria as acusações de corrupção e associações do seu nome ao crime organizado — falam, em especial, das milícias cariocas.

O blog da jornalista Andréia Sadi, no G1, comentou o assunto nesta semana: “Aliados de Flávio Bolsonaro veem um racha crescente na família e avaliam que Michelle Bolsonaro pode aproveitar a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro para tentar viabilizar a candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas.

Segundo esse grupo, a candidatura de Tarcísio sempre foi o plano de Michelle. O entorno de Flávio também acredita que a ex-primeira-dama gostaria de ocupar a posição de vice em uma eventual chapa com o governador de São Paulo”.

Acho difícil que isso aconteça. Em política, no entanto, nada é impossível. Fica o suspense no ar, como um “Festim Diabólico” do mestre Alfred Hitchcock.





ICL Notícias

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