Por Brasil de Fato
O governo brasileiro iniciou, nesta segunda-feira (13), o envio de 48 toneladas de leite em pó em ajuda humanitária a Cuba. A operação, confirmada por meio de nota oficial, ocorre para contribuir com o enfrentamento da grave situação de desabastecimento vivida pela ilha caribenha, que lida com desafios estruturais severos e com o impacto das sanções impostas pelos Estados Unidos.
Coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, a operação conta com alimentos disponibilizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os insumos serão transportados em dois voos da Força Aérea Brasileira (FAB) com destino a Santiago de Cuba.
Outras doações, envolvendo novos alimentos e medicamentos, ainda estão sob avaliação do governo brasileiro. A ilha sofre com a escassez de produtos de primeira necessidade e limitações no acesso a mercados internacionais devido ao bloqueio econômico promovido por Washington, que já dura mais de seis décadas.
Contexto econômico e reformas
A economia cubana passa por um profundo processo de reajuste por meio de um pacote de 176 reformas que redefinem a estrutura econômica do país para liberalizar o capital privado e descentralizar a gestão. Recentemente, o governo detalhou uma reforma empresarial que propõe uma “alta inter-relação” entre os setores público e privado, concedendo maior autonomia operacional às empresas estatais e eliminando restrições burocráticas para as empresas privadas.
Em entrevista recente ao programa dominicano Grupo Corripio, o presidente Miguel Díaz-Canel defendeu as transformações, mas rejeitou a ideia de uma guinada ideológica. “Não estamos buscando uma restauração capitalista do país. Estamos buscando o aperfeiçoamento da construção socialista nas condições tão adversas em que vivemos hoje”, argumentou.
Essa posição se alinha às declarações dadas pelo mandatário em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, na qual ele enfatizou que a soberania nacional é inegociável. “Não somos uma nação em disputa, nós não somos uma colônia, nem somos uma possessão para que alguém se aproprie de nós”, declarou o presidente na ocasião.
Crise energética e denúncias na ONU
A infraestrutura elétrica cubana permanece sob extrema pressão. Na segunda-feira da semana passada (6), a ilha enfrentou um novo apagão generalizado após uma desconexão total de seu Sistema Eletroenergético Nacional, motivada pela severa escassez de combustíveis. O governo cubano classifica o cerco de Washington como uma política de “asfixia energética”, denunciando que as sanções intimidam fornecedores estrangeiros e impedem a chegada regular de petroleiros.
Diante deste cenário, o chanceler cubano Bruno Rodríguez Parrilla viajou a Nova York para apresentar formalmente na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), no dia 7 de julho de 2026, uma denúncia contra o endurecimento do bloqueio energético e as agressões da Casa Branca. O governo cubano acusa os EUA de cometer um “crime contra a humanidade em plena execução” ao impor punições coletivas que ferem diretamente as condições de vida da população civil na ilha.
Solidariedade internacionalista
Mesmo enfrentando duras dificuldades internas, Cuba mantém viva sua tradição de solidariedade internacional. Após a emergência provocada pelos fortes terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho, causando 164 mortes confirmadas, o governo cubano enviou duas novas equipes de resgate para colaborar na localização de sobreviventes. Além disso, a equipe médica cubana, que já atua em território venezuelano, foi totalmente mobilizada para prestar socorro emergencial às vítimas nas áreas afetadas.
Internamente, a gestão de Díaz-Canel reforça que a ampla participação popular e o controle social serão determinantes para que a população compreenda a necessidade das reformas e ajude a viabilizar a resistência econômica do país.
