A imagem acima, mostra a quadra do Beco do Macedo em décadas diferentes.
A postagem abaixo, ilustra e dá a dimensão de um problema que nasceu e cresceu a partir da intolerância de um padre .

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Entenda o problema
O bairro Nossa Senhora das Graças, na Zona Centro-Sul de Manaus, conhecido por todos como o antigo Beco do Macedo, está em guerra por sua história.
Oficialmente criado em 1974 pela Prefeitura, a ocupação da área tem aproximadamente 100 anos. O Beco do Macedo nasceu no entorno de uma praça esportiva e durante décadas abrigou o único estádio do Amazonas: o lendário Parque Amazonense, construído em 1906 como hipódromo e a partir de 1918 como o maior palco do futebol amazonense, com capacidade para 10 mil pessoas. Foi ali, a 1km do Centro, na Rua Belém, que o esporte de Manaus aprendeu a ser grande.
Com pouquíssimas ruas, o Beco do Macedo tem íntima ligação com atividades esportivas, culturais e religiosas. Em sua quadra comunitária, milhares de jovens praticaram esportes. Dali saíram atletas de destaque no futsal, handebol, basquetebol e voleibol. Além disso, durante muitos anos a quadra poliesportiva foi também cultural, palco do Festival Internacional de Danças e de festas tradicionais.
A história da quadra se mistura com a da Igreja Católica. Um terreno foi doado por um antigo morador. A igreja foi construída e a quadra, pelo fato de os “antigos” entenderem a importância do espaço ludico para crianças, adultos e idosos.
A administração do espaço esportivo sempre foi feita pelos comunitários que contribuíam com a paróquia, em uma parceria que durante muiyos anos garantiu excelentes benefícios, tanto para as crianças da catequese quanto para os moradores, que nos horários vagos sempre se reuniam para jogar bola.
Diversos párocos administraram a Igreja e a quadra, controlando com bom senso a utilização do local.
Mas a história mudou.
A PROIBIÇÃO
O atual padre e pároco, mesmo tendo sido procurado por centenas, talvez milhares de comunitários, decidiu proibir totalmente a utilização do espaço esportivo. A justificativa usada foi o consumo de drogas dentro da quadra durante as madrugadas.
Uma decisão no mínimo questionável, visto que o desporto é reconhecido mundialmente como uma das vacinas mais eficazes contra as drogas. Fecha-se o espaço que afasta os jovens das drogas com o argumento de que há drogas no espaço.
Há seis anos sem poder ser utilizada pela comunidade, a quadra naturalmente passa por um processo acelerado de deterioração. E para completar, o mesmo padre decidiu agora transformar a quadra poliesportiva em estacionamento.
A decisão gerou revolta nos moradores de todas as idades.
No bairro não há outra quadra. É a única opção de lazer e esporte para centenas de crianças e idosos. Todas as tentativas de conversa com o pároco já cansaram quem mora no bairro. A comunidade exige um espaço de diálogo, coisa que não tem sido do agrado do padre que toma conta da igreja.
A própria Arquidiocese de Manaus sabe do problema, mas não se impõe para não ferir a autoridade do padre.
VIATURAS COMO SEGURANÇA PARTICULAR
Em sua última manifestação, o padre alegou que moradores das redondezas ameaçaram danificar os carros de quem fosse à igreja e que por isso pediria ajuda da Polícia Militar.
Nas últimas cerimônias, viaturas ficaram estacionadas em frente à igreja. Uma distorção completa da função da PM, que é o policiamento ostensivo, preventivo, em movimento, passando em todas as ruas e dando a sensação de segurança para a sociedade, e não servir como segurança particular em cerimônias religiosas, seja na igreja ou em outro local.
A comunidade do Nossa Senhora das Graças / Beco do Macedo não quer confusão. Quer diálogo. Quer sua quadra de volta. Quer que o esporte volte a ser a vacina contra as drogas e não o estacionamento de carros.
O Beco do Macedo resiste. O bairro de 100 anos não pode morrer por falta de uma quadra.
PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS:
Diante da grave situação, a comunidade pede publicamente providências do Ministério Público do Estado do Amazonas e da Arquidiocese de Manaus, para que seja apurada a natureza jurídica e a destinação da sua única quadra poliesportiva comunitária, que há mais de cinco anos encontra-se fechada por determinação do atual pároco sob a questionável justificativa de consumo de drogas na madrugada e que agora será transformada em estacionamento, gerando revolta geral por se tratar de um bem de uso comum da comunidade onde milhares de jovens praticaram futsal, handebol, basquetebol e voleibol e que serviu como palco cultural do Festival Internacional de Danças, requerendo assim a instauração de procedimento para apurar desvio de finalidade, a mediação do conflito coletivo garantindo os direitos constitucionais ao lazer e ao esporte, a reabertura imediata da quadra com regimento de uso comunitário e conselho de moradores, bem como o fim do uso de viaturas da Polícia Militar como segurança particular em cerimônias religiosas, restabelecendo o diálogo que todas as tentativas da comunidade até hoje não conseguiram obter do pároco.