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Após deixar 1.442 candidatos fora de filtro, X é alvo de denúncia na Justiça Eleitoral

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Por Cleber Lourenço

O Sleeping Giants Brasil acionou o Ministério Público Eleitoral (MPE) para investigar o X após identificar ao menos 1.442 perfis de candidatos que ficaram fora do mecanismo criado pela plataforma para cumprir as regras eleitorais de 2026. O caso ganhou uma nova dimensão porque, segundo a entidade, mesmo depois de corrigir a lista, a rede social continuou recomendando contas de candidatos aos usuários.

A organização cruzou o código disponibilizado publicamente pelo próprio X com a base de redes sociais informadas pelas candidaturas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em uma coleta realizada em 23 de agosto, o filtro eleitoral do X reunia 665 contas. O Sleeping Giants identificou ao menos outras 1.442 vinculadas a candidaturas que não apareciam no mecanismo.

Na prática, segundo a representação, candidatos incluídos na lista deixavam de ter seus perfis e conteúdos recomendados a usuários que não os seguiam, enquanto aqueles que estavam de fora permaneciam potencialmente sujeitos à distribuição algorítmica. A entidade argumenta que essa diferença pode ter criado condições desiguais de exposição durante a campanha.

O X posteriormente atualizou o mecanismo e acrescentou as contas que estavam ausentes. Foi então que o Sleeping Giants identificou o que considera uma segunda falha: candidatos passaram a constar do filtro, mas continuaram aparecendo na ferramenta “Quem seguir”.

“Quando [a representação] estava pronta, a gente começou a perceber que, mesmo após o X atualizar o algoritmo de recomendação e inserir as contas, as 1.442 contas que estavam faltando, a plataforma continuou recomendando em outras seções da recomendação algorítmica”, afirmou ao ICL Notícias Humberto Ribeiro, cofundador e diretor jurídico do Sleeping Giants Brasil.

Candidatos apareceram após mudança no X

A descoberta fez a entidade adiar por cerca de dois dias o envio da representação para realizar novos testes. Segundo Ribeiro, foram produzidos quatro relatórios técnicos da Verifact para documentar o funcionamento da plataforma.

O relatório mais recente registra uma sessão realizada em 27 de agosto, depois da alteração promovida pelo X. O material preserva tecnicamente a navegação, capturas de tela e gravações da sessão.

Segundo Ribeiro, perfis de Nikolas Ferreira, Sergio Moro e Tarcísio de Freitas apareceram nas sugestões do “Quem seguir” durante os testes. A conta de Nikolas, afirma, foi recomendada repetidas vezes.

É justamente o “Quem seguir” que sustenta a nova frente da representação. O artigo 28 da resolução eleitoral determina que plataformas com sistemas de recomendação excluam dos resultados os canais e perfis informados à Justiça Eleitoral e, ressalvadas as hipóteses legais de impulsionamento, os conteúdos publicados por eles.

Para o Sleeping Giants, a regra não alcança apenas publicações distribuídas pelo “For You”, mas também a recomendação das próprias contas.

“Não existe nenhum mecanismo mais óbvio de recomendação de contas do que o ‘Quem seguir’. Você está recomendando uma conta para ser seguida”, disse Ribeiro.

A entidade sustenta que o mecanismo implementado pelo X para a eleição não abrange adequadamente essa área da plataforma. Assim, a inclusão dos candidatos no filtro não teria sido suficiente para interromper todas as formas de recomendação algorítmica.

MPE é provocado a medir alcance da falha

Agora, o Sleeping Giants quer que o MPE obtenha dados que somente o X possui para determinar o tamanho do problema.

A representação pede que a plataforma informe quais candidatos foram recomendados ou sugeridos desde o início da propaganda eleitoral, em quais funcionalidades isso ocorreu, durante quanto tempo e quantas exposições cada perfil recebeu. Também solicita a preservação de logs, versões do filtro e registros das datas de inclusão e exclusão das contas.

Essas informações poderão mostrar se candidatos tiveram níveis diferentes de exposição enquanto parte dos perfis estava submetida à restrição e outra parte permanecia fora dela. A existência da diferença técnica foi identificada pela entidade, mas sua dimensão entre os usuários depende dos dados internos do X.

Segundo Ribeiro, a campanha do presidente Lula já apresentou uma representação sobre a falha inicial, usando dados fornecidos pelo Sleeping Giants. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça. A ação foi apresentada antes da descoberta envolvendo o “Quem seguir” e, por isso, não contempla essa segunda questão.

O pedido apresentado ao MPE tenta ainda levar a investigação para além do X. O Sleeping Giants solicita que Facebook, Instagram, YouTube, TikTok e Kwai também expliquem como identificam as contas de candidatos, com que frequência atualizam suas bases e quais ferramentas de recomendação estão submetidas às restrições eleitorais.

A entidade argumenta que só conseguiu detectar as inconsistências no X porque parte do código da plataforma estava disponível publicamente. Nas demais redes, a fiscalização dependerá do acesso da Justiça Eleitoral às informações técnicas mantidas pelas próprias empresas.





ICL Notícias

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