A Americanas informou na quarta-feira (25) que protocolou na Justiça o pedido para encerrar sua recuperação judicial, incluindo todas as empresas do grupo que estavam sob o mesmo processo. O pedido foi feito à 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro e, se aprovado, encerrará formalmente uma das fases mais turbulentas da história da empresa.
Segundo a companhia, a solicitação ocorre após o cumprimento integral das obrigações previstas no plano de recuperação aprovado pelos credores, dentro do prazo legal de até dois anos após a homologação.
A crise teve início em janeiro de 2023, quando a Americanas revelou inconsistências contábeis inicialmente estimadas em R$ 20 bilhões, que posteriormente se mostraram parte de um rombo superior a R$ 50 bilhões. Cerca de R$ 42 bilhões desse montante foram incluídos na recuperação judicial.
O anúncio provocou a saída do presidente Sergio Rial, que havia assumido o comando da empresa apenas nove dias antes, e uma queda de quase 80% no valor das ações em um único dia, seguida de intensa volatilidade nos pregões seguintes.
Plano de recuperação e aporte de acionistas
O plano de recuperação judicial foi apresentado em março de 2023 e aprovado somente em dezembro do mesmo ano. Entre os principais pontos, estava o aporte de R$ 12 bilhões dos acionistas de referência — o trio de bilionários Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Herrmann Telles — e a renegociação de débitos concursais com credores.
Em outro movimento estratégico, a Americanas vendeu a Uni.Co, holding que detém as marcas Imaginarium e Puket, à BandUP!, pelo valor de R$ 152,9 milhões. A venda foi realizada por meio de processo competitivo judicial, reforçando a reestruturação do portfólio da companhia.
O economista e fundador do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), Eduardo Moreira, comparou a fraude bilionária da Americanas ao caso do Banco Master. “No caso das Americanas, que não se fala mais, como se não tivesse acontecido, conseguiram fazer sumir o caso. Os donos das Americanas não foram chamados a dar nenhum depoimento (…). O caso do Master tem tanta gente graúda envolvida, que vai dar ‘operação abafa’ [como foi o da Americanas], ou seja, não vai dar em nada”, lamentou Moreira.
