A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou nesta sexta-feira (18) uma nota de repúdio à escalada de violência online contra jornalistas que atuam na cobertura das eleições e de casos de corrupção. A entidade alertou para o aumento de ataques, ameaças e tentativas de descredibilização do trabalho da imprensa nas redes sociais.
Segundo a Abraji, o ambiente digital tem sido utilizado para promover campanhas de hostilidade contra profissionais e veículos de comunicação, especialmente diante de reportagens envolvendo políticos, investigações e temas de grande repercussão pública.
A entidade ressaltou que os ataques não se limitam a críticas ao conteúdo publicado. Jornalistas também têm sido alvo de ofensas pessoais, intimidações, discursos misóginos e ameaças, criando um ambiente que pode comprometer a segurança dos profissionais e o exercício da atividade jornalística.
A violência também tem atingido de forma significativa mulheres jornalistas. De acordo com dados citados pela Abraji, profissionais do sexo feminino são frequentemente alvo de ataques com conteúdo misógino e sexual, além de tentativas de desqualificação de sua atuação profissional.
A organização destacou ainda que a violência digital pode produzir consequências fora das redes sociais. Em alguns casos, ameaças e perseguições contribuem para que jornalistas ou veículos deixem de realizar determinadas coberturas por questões de segurança.
Ataques aumentam durante período eleitoral
O alerta da Abraji ocorre em um momento de intensificação da disputa eleitoral e de aumento da circulação de conteúdos políticos nas plataformas digitais. Para a entidade, a combinação entre polarização, desinformação e ataques à imprensa cria um cenário de maior vulnerabilidade para profissionais que trabalham na apuração de informações de interesse público.
A associação defendeu o direito à liberdade de imprensa e afirmou que críticas ao trabalho jornalístico são legítimas dentro do debate democrático, mas não devem ser utilizadas como justificativa para ameaças, perseguições ou violência contra jornalistas.
A Abraji também ressaltou que o trabalho da imprensa é fundamental para garantir que a sociedade tenha acesso a informações sobre candidatos, eleições, investigações e possíveis casos de corrupção.
O levantamento que acompanha a violência contra jornalistas nas redes é realizado pela Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), em parceria com o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio). A coleta de dados do X e do Instagram é feita pelo Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Na segunda quinzena analisada, entre 30 de agosto e 12 de setembro, foram identificados 4.400 episódios de hostilidade contra jornalistas e veículos de comunicação no Instagram e no X. O número representa aumento de 67,3% em relação aos 2.630 ataques registrados nas duas semanas anteriores.
O levantamento também apontou crescimento no número de profissionais e veículos atingidos. Foram identificados ataques contra 86 jornalistas e 109 veículos diferentes, enquanto, na quinzena anterior, 46 jornalistas e 91 veículos haviam sido alvo de hostilidade.
Entre os veículos mais atacados no X estavam a Folha de S.Paulo, a GloboNews e o g1. A disputa presidencial concentrou a maior parte dos episódios relacionados diretamente às eleições.
A Abraji afirmou que continuará monitorando os casos e reforçou a necessidade de medidas para proteger jornalistas diante do aumento da violência e das tentativas de intimidação no ambiente digital.
