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1º de Maio: luta por dignidade e pelo fim da escala 6×1

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Por Chico Vigilante*

Neste 1º de Maio, data em que celebramos a força dos trabalhadores que movem o Brasil, o debate central não é apenas a memória, mas a sobrevivência: o fim da escala 6×1. Estudos recentes revelam que, ao contrário do que prega o catastrofismo da extrema-direita, a redução da jornada deverá impulsionar o PIB através do aquecimento do setor de serviços e do aumento do consumo na economia.

Enquanto os neoliberais usam o fantasma da inflação para amedrontar o povo, as projeções mostram que o ganho de produtividade e o bem-estar social com a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais superam os custos de adaptação. Para os cerca de 48 milhões de trabalhadores no país com carteira assinada, essa não é uma discussão acadêmica, mas a diferença entre ter uma vida digna ou ser um mero apêndice da máquina de lucro.

O Dia do Trabalho é um símbolo histórico de resistência operária. O que celebramos hoje não caiu do céu, nem foi presente de patrão. Foi conquistado a duras penas por aqueles que nos antecederam na resistência e entenderam que o capital não cede por bondade. Da luta pelas oito horas de jornada no século 19 até a garantia do 13º salário, cada linha da nossa legislação trabalhista foi escrita com a coragem de quem não se curvou. Honrar essa história hoje significa enfrentar a herança maldita da escala 6×1, que é, na prática, um resquício de escravidão moderna disfarçado de necessidade econômica.

Os argumentos falaciosos de que a redução da jornada gera inflação ignoram que o verdadeiro motor da economia é o mercado interno forte. Quando o trabalhador tem tempo para descansar e dinheiro no bolso para consumir, todo o comércio local prospera. O ódio que a elite destila contra a organização da classe trabalhadora é o medo de perder o controle sobre a mão de obra barata. Eles preferem um povo exausto e doente, pois gente cansada tem menos força para se organizar e exigir o que é seu por direito.

A manutenção dessa escala massacrante é um crime contra a saúde física e mental e contra a própria estrutura familiar. É inadmissível que, em pleno século 21, o trabalhador seja submetido a uma rotina de exaustão que confisca seu direito sagrado ao descanso e ao convívio com seus filhos. O argumento de que a economia “quebrará” com o fim da escala 6×1 é a mesma mentira contada quando se tentou abolir a escravatura. No meu mandato na Câmara Legislativa do Distrito Federal, luto para que o tempo de vida não seja totalmente sequestrado pelo lucro desenfreado de grandes grupos que nunca pegaram no pesado.

Precisamos combater com veemência a narrativa mentirosa da extrema-direita e seus “influenciadores” de fachada. Eles tentam convencer a juventude de que o empreendedorismo de plataforma — trabalhar 14 horas por dia sem seguro, sem férias e sem INSS — é o ápice da liberdade. Isso é uma farsa criminosa! O que eles chamam de autonomia é, na verdade, o desamparo total do cidadão diante de algoritmos invisíveis. A liberdade que a direita prega é a liberdade de o trabalhador morrer de fome se adoecer e não puder pedalar ou dirigir.

No parlamento, sigo vigilante contra o assédio moral e na defesa intransigente dos concursos públicos. Não existe justiça social se o Estado não garante transporte eficiente e saúde de qualidade para quem acorda às quatro da manhã. A luta contra as privatizações criminosas é a defesa direta do patrimônio de cada cidadão. O serviço público deve ser o escudo do trabalhador contra a sanha do mercado, garantindo que direitos básicos não virem mercadoria de luxo acessível apenas para uma minoria privilegiada.

O fascismo moderno tenta nos dividir com pautas morais vazias para esconder seu projeto real: o desmonte total da CLT. Eles querem que o trabalhador brigue com seu vizinho por questões ideológicas enquanto eles saqueiam o futuro das próximas gerações. Nossa resposta deve ser a unidade inabalável da classe trabalhadora. A estratégia do “dividir para governar” só será derrotada quando entendermos que somos uma única força produtiva, movida pelo desejo comum de uma vida com justiça social e dignidade humana.

Encerro este 1º de Maio reafirmando meu compromisso de vida ao lado do trabalhador. A história nos ensina que o direito fragilizado acaba sendo retirado pela ganância patronal. Por isso, conclamo todos à resistência: pelo fim definitivo da escala 6×1, com a redução da jornada para 40 horas semanais, e pela valorização real do suor brasileiro. Continuaremos nas ruas, denunciando abusos e construindo um Brasil onde o trabalho seja fonte de vida, não de sofrimento. Viva a classe trabalhadora! Seguimos firmes, aguerridos e, como meu nome diz, sempre vigilantes. A vitória será pela defesa dos trabalhadores.

 

*Deputado distrital e líder do PT na Câmara Legislativa do Distrito Federal





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